Cabo Verde chama — e agora é mais fácil lá chegar. Nós fomos, e só queremos voltar
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Margarida Ribeiro
- 16 jul 2025, 10:01
Fizemos uma viagem até uma das ilhas do arquipélago que tem "no stress" como lema e dizemos-te exatamente porque deves fazer o mesmo.
Já deves ter lido as notícias sobre as (boas) novidades da easyJet. Foram anunciadas seis novas rotas com destino a diferentes ilhas de Cabo Verde e, sim, com preços que deixam qualquer um com vontade de começar a fazer as malas.
Foi exatamente isso que fizemos, mas antes de contar a nossa experiência incrível (spoiler alert), convém explicar melhor estas novidades da companhia aérea. Podemos começar pela parte mais interessante: os preços. Consegues encontrar viagens a partir de Lisboa ou do Porto que podem custar menos de €80.
Mais especificamente, a partir de outubro, a easyJet começa a ter novos voos entre Lisboa e ilhas como Boa Vista, Praia e São Vicente, complementando assim as operações que tem desde o final do ano passado para a ilha do Sal. Também existem novas rotas entre o Porto e as ilhas de Boa Vista e Praia. Já a ligação com a ilha do Sal acabou por ser reforçada.
E, agora, como sabes lá chegar, está na hora de falar sobre a melhor parte: o itinerário. Primeiro escolhes uma ilha (uma tarefa difícil, na nossa opinião). Existem dez - nove das quais são habitadas - e estão divididas em dois grupos o barlavento, a norte; e o sotavento, a sul.
Fazem parte do primeiro grupo as ilhas da Boa Vista; Sal; Santo Antão; Santa Luzia, uma reserva natural desabitada; São Nicolau e São Vicente. Já no segundo encontras Brava; Fogo; Maio; e Santiago.
Nós fomos conhecer melhor a ilha do Sal. É, sem dúvida, a mais turística. Logo ao sair do aeroporto, instalado em Espargos, a maior cidade da ilha e onde vive a maior parte dos cabo-verdianos, encontras vários guias turísticos com diferentes propostas. E, sim, aconselhamos que prepares algum tipo de acompanhamento ou, no mínimo, alugues um carro para conseguires explorar bem a ilha.
É muito provável que o teu destino final seja a cidade de Santa Maria, onde ficam a maioria dos resorts e hotéis. É uma viagem de apenas 15 a 20 minutos de carro durante a qual consegues observar o terreno árido desta ilha, onde não existem pulmões verdes, mas não faltam montanhas e, claro, águas azul-turquesa.
Já na cidade podes escolher entre diferentes alojamentos locais. Há de tudo um pouco desde locais mais simples a outros com tudo incluído e mesmo à beira-mar.
Qualquer que seja a tua escolha, existem coisas que não podes deixar de fazer ao visitar esta ilha e não, não vale passar os dias estendido na tolha. Podes começar as tuas férias na praia com o nome da cidade.
Por lá encontras o Pontão de Santa Maria, uma estrutura de madeira muito utilizada pelos locais e, como seria de esperar, muito visitada pelos turistas. Há, por exemplo, muitas bancas a vender pulseiras feitas à mão, com conchas e missangas, assim como páreos (encontras muitos por lá, pode ser difícil escolher), e outros artigos perfeitos para souvenirs, como os clássicos ímanes.
É ainda um local de apoio para os pescadores da ilha e está mesmo rodeado de barcos de pesca coloridos dentro de água e no areal. Não fiques surpreendido se passares por um pescador acabado de sair do mar com um atum quase do seu tamanho nas mãos. Muitos usam ainda o pontão como um local para arranjar o peixe ou secá-lo.
Isto leva-nos a outra área: a gastronomia. Existem vários restaurantes que podes experimentar na ilha e alguns ficam apenas a uns passos da praia. Todos apostam no peixe e marisco frescos. Tens mesmo de provar atum (sim, aquele que acabaste de ver a sair do mar nas mãos de um pescador).
Regressando ao itinerário.... Existem várias experiências que valem a pena em Sal. Há quem aproveite para passear de mota nas zonas mais áridas da ilha - um autêntico deserto - outros visitam a Baía dos Tubarões (Shark Bay), o nosso caso.
É uma lagoa de água rasa, muito quente e rochas de lava no fundo. É o único local da ilha onde consegues observar tubarões-limão, no seu habitat natural, infelizmente nem sempre aparecem. Para os conseguires ver tens de fazer uma pequena caminhada dentro da água.
Existem vários espaços instalados na praia que oferecem apoio, com guias que acompanham ao local certo e ainda chamam os tubarões com restos de peixe. Todos alugam sapatos de borracha ideais para a tal caminhada e, apesar de não ser a opção mais estética, acaba por ser a mais segura.
Se ainda não estiveres cansado de adrenalina, existe outra paragem obrigatória, a Kite Beach. Tal como o nome indica, aqui podes praticar kite surf ou, se fores como nós, relaxar no extenso areal.
Lá perto encontras a única parte verde da ilha. É o Pachamama Eco Park, um jardim botânico, com várias espécies de plantas que podem existir no arquipélago. Têm atividades, concertos, e ainda servem como refúgio de animais. Já ao lado encontras um campo de golfe. É o único que usa relva em Cabo Verde, mas, segundo a proprietária, apenas reciclam água para o manter, algo importante porque a escassez de água pode ser uma realidade nesta ilha.
Para relaxar em Sal não precisas de ir ao spa. Basta visitares as Salinas de Pedra de Lume. Ficam na base de uma da cratera de um vulcão extinto. É feita a exploração de sal desde 1800, as estruturas originais ainda lá estão e, sim, nos dias de hoje ainda mantém a produção e exportação de sal.
É um local deslumbrante que deixa qualquer um sem fôlego. Tem várias piscinas de água salgada em que podes entrar e existem visitas guiadas. É impossível nadar porque assim que entras completamente na água o teu corpo simplesmente flutua - uma experiência que não podes perder. Quando terminares ainda podes levar sal para casa.
Inclui o Mercado Municipal, em Santa Maria, no teu roteiro. É uma oportunidade para conheceres melhor as pessoas da ilha e fazeres compras. Há bancas de frutas, vegetais e muitas lojas de artesanato e arte.
Também não podes esquecer a Rua Pedonal - 1 de Junho. Fica no centro de Santa Maria. Tem lojas, muitos cafés e restaurantes. É aqui que podes aproveitar para ouvir música ao vivo incluindo os clássicos de artistas cabo-verdianos, como Cesária Évora, a banda sonora perfeita para a tua viagem.
É impossível falar do Sal - e de Cabo Verde - sem falar das pessoas que lá vivem. Têm o dom de receber quem chega com um sorriso aberto e de lembrar, com simplicidade, que a vida pode mesmo ser "no stress".
Quando a viagem termina, voltas a casa com o coração cheio, uma mala com mais areia do que esperavas e uma vontade difícil de ignorar: a de voltar.
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