Wind Family
Wind Family | Fotografia: D.R.
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Uma família de seis e uma volta ao mundo. Serias capaz?

Acaba de chegar um livro de aventuras reais, o "Wind Family - 3 Anos de Viagem pelo Mundo". Como compilar três anos num livro? Inês Saldanha explica.

As aventuras da Wind Family já estão escritas num livro

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Em agosto de 2020 começava a aventura: uma família de seis, um veleiro sustentável, uma volta ao mundo que duraria três anos. Não é por acaso que são conhecidos como Wind Family, tendo ido ao sabor do vento por cada continente, sem nunca temer o que iam encontrar. Estavam preparados para todos os desafios e não foram poucos. 

Muitos deles são agora contados no novo livro Wind Family - 3 Anos de Viagem pelo Mundo, escrito por Inês Saldanha, a matriarca da família. Com ela partiram João, o marido, e os quatros filhos, Francisco, Teresinha, Alice e Manel, numa longa viagem durante a qual a educação dos mais novos não foi descurada. Aliás, tiveram o privilégio de aprender mais sobre cada país na rota dos Wind Family.

Em entrevista à VERSA, Inês fala sobre o novo livro e sobre tudo aquilo que nos ensina, porque desta viagem não faltam lições. Talvez uma das maiores está ligada a uma palavra muito portuguesa: saudade. 

O que compila o novo livro Wind Family?

O livro são três anos de viagem pelo mundo, com quatro filhos, de uma vida nómada. Passámos por três temporadas diferentes. A primeira foi de barco, a segunda foi pela Ásia de mochila às costas e a terceira foi de avião, de país em país, no continente africano. Portanto, são diários, são pensamentos, são reflexões muito cruas daquilo que é andar com uma casa às costas e os miúdos atrelados. 

É possível resumir num livro três anos de viagem?

É possível na medida em que eu escrevia um pouco sobre cada país, sobre cada sentimento, sobre cada etapa, e os momentos mais marcantes estão todos lá. 

Que aventuras foram mais difíceis de contar? 

Quando os sentimentos estão muito à flor da pele, a escrita até sai melhor. Quanto maior é a emoção, mais fácil para mim é descrevê-la. Mas foi, sem dúvida nenhuma, escrever sobre o que aconteceu ao Francisco na Nicarágua, foi um momento difícil. Aliás, há muitos episódios no livro em que eu estava a escrever e a caírem-me as lágrimas, porque tudo o que vivi foi pouco para aquilo que estava a sentir. 

 

Que lições ficaram da viagem e podemos tirar com este novo livro?

Muitas. A primeira é que sentimos falta de poucas pessoas. É quase uma seleção natural entender quem é realmente importante para nós. Isto a nível de pessoas, mas também de coisas físicas. O que realmente nos faz falta e felizes? Nunca é a casa, nunca é o carro. Nunca se sente falta de coisas materiais, é impressionante. É sempre sobre pessoas e sentimentos, nunca das coisas que deixámos. Parece que é preciso ir viajar durante três anos para perceber o que realmente importa. 

Depois, nós, enquanto seres humanos, sempre fomos ensinados que temos de estar a fazer alguma coisa de útil, a trabalhar, e é muito estranho termos tempo uns para os outros. A sensação de ter tempo a mais desorganiza-nos enquanto pessoas, ficamos sem saber o que fazer e sentimo-nos culpados por não estar a trabalhar. E, de repente, estamos com tempo para ler um livro a uma criança sem saber que horas são. Estar a pentear o cabelo da Alice e não estar na correria dos dias para ir para a escola. Tivemos muito tempo para nos conhecermos de uma forma especial.

Ler o livro é uma constante lição de vida, com as reflexões que fui fazendo. Estou uma pessoa diferente porque fiz aquela viagem. 

Qual a maior recompensa de uma viagem que nem sempre foi fácil?

A maior recompensa acho que é a união que ficou em nós. Aquilo que eu, o João e os quatro miúdos vivemos. Podemos ser velhinhos e ter uma mesa cheia de netos, que haverá sempre histórias que só nós é que partilhámos. E isto é para sempre. O que estamos aqui a fazer na vida senão guardar memórias que ficam para sempre? 

A que destinos gostariam de voltar? Porquê?

Tantos. Sobre o Sri Lanka, estou sempre a dizer que a minha reforma serão três meses lá. A Colômbia, foi outro país que nos apaixonou loucamente e na altura até pensámos ir viver para lá. A Nicarágua foi também um país que nos marcou profundamente, como se já estivesse estado ali. Depois, África é para mim a cereja no topo do bolo. O Botswana, digo no livro e volto a repetir, mudou-me enquanto pessoa. O estar ali, naquela selva, com animais selvagens e a fazer campismo mudou-nos.

 

O que se segue à viagem e ao livro? Mais aventuras?

O que se segue é um projeto muito especial. Vai trazer um lado meu que estava um bocadinho adormecido, porque a vida não me levou para aqui, que é o meu lado mais social. Vai aparecer em setembro e vou aproveitar toda a minha comunidade. Não tem que ver com viagens diretamente, mas acho que é um projeto social que está a fazer falta no mundo em que vivemos. 

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