Vinho | Fotografia: Unsplash
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Afinal, o que é um vinho verde? Cinco ideias erradas em que provavelmente acreditas

Saberás mesmo o que distingue um vinho verde de outros nacionais? Todas as respostas são dadas por quem sabe.

Perceber melhor o que temos no copo é meio caminho andado para o desfrutar plenamente. A maioria de nós sabe distinguir um branco de um tinto ou de um espumante, mas quando entramos no mundo das castas… aí a conversa muda. Sabemos, por exemplo, o que distingue um Alvarinho?

A casta Alvarinho é uma das estrelas dos vinhos verdes, famosa pelos seus aromas cítricos, perfil elegante, notas minerais e uma acidez vibrante. Muitas das referências mais marcantes desta casta nascem na Quintas de Melgaço, que lançou o seu primeiro QM Espumante Reserva em 1999 e não parou desde então.

Este ano, o portefólio ganhou novas edições: QM Loureiro/Alvarinho 2024 (€6,90), QM Rosé 2024 (€12,98) e QM Alvarinho 2024 (€11,99) – todos eles vinhos verdes onde o Alvarinho assume o papel principal. Mas antes de os provares, talvez valha a pena perceber o que define um vinho verde.

Pedro Soares, da administração da Quintas de Melgaço, explica tudo em entrevista à VERSA.

Como tem sido a evolução do consumidor relativamente ao consumo de vinhos verdes nos últimos anos?

A evolução do consumo dos vinhos verdes brancos tem sido bastante significativa nas últimas duas décadas tanto no mercado nacional, como internacional. O perfil do consumidor mudou e o próprio sector adaptou-se para oferecer vinhos mais consistentes, sofisticados e alinhados com as tendências do mercado.

A formação e especialização de cada vez mais pessoas no setor da viticultura e enologia, assim como o uso de novas abordagens, têm contribuído para este melhoramento contínuo.

Muitos consumidores ainda associam o vinho verde a um perfil frisante e leve. Que mitos gostariam de ver desmistificados em relação a esta categoria de vinhos?

1. Que as uvas desta região são colhidas verdes. Na verdade, são colhidas maduras.

2. Que o vinho verde é sempre gaseificado. A Alvarinho é o forte exemplo de um vinho tranquilo – gaseificação 0.

3. O vinho verde é sempre leve e com baixo grau. Os vinhos verdes Alvarinhos e Loureiros atingem 12,5% e 13% de álcool.

4. É um vinho para se beber jovem e rapidamente. O vinho Alvarinho tem um potencial de guarda de 5-10 anos, ou até mais.

5. Todos os vinhos verdes são iguais. A região dos vinhos verdes é uma das mais diversificadas de Portugal, cada uma das sub-regiões que a constituem tem características e uma identidade muito própria.

Desmistificar estes preconceitos permite ao consumidor descobrir vinhos frescos, gastronómicos, de guarda (envelhecimento) e com uma identidade própria.

Que conselhos daria a um consumidor que quer começar a explorar os vinhos verdes, em especial os produzidos a partir da casta Alvarinho? Há alguma “regra de ouro” para começar?

Para os interessados na casta Alvarinho, aconselha-se vivamente as pessoas a virem conhecer em primeira mão a sub-região de Monção e Melgaço, de modo a perceberem mais de perto e deixarem-se encantar pela beleza deste terroir único, situado num vale, rodeado por uma cadeia montanhosa que o protege da influência dos ventos atlânticos e com um microclima muito especial, contando ainda com a moderação das amplitudes térmicas por parte do Rio Minho. Todas estas condições são perfeitas para a produção da casta rainha desta sub-região: a Alvarinho.

Aqui, nesta sub-região, as pessoas podem contar com algumas adegas, como é o caso da Quintas de Melgaço, que possuem várias referências de vinhos, com diferentes estilos de vinificação e, assim, perceber como esses estilos influenciam o vinho.

A casta Alvarinho tem vindo a ganhar cada vez mais destaque no panorama vínico nacional. O que torna esta casta tão especial?

A casta Alvarinho é especial porque combina tipicidade, elegância, acidez, potencial de envelhecimento e versatilidade, além de refletir com nitidez o terroir de onde é proveniente. Num país que tradicionalmente valorizava os tintos, a casta Alvarinho simboliza uma nova era dos brancos portugueses com uma identidade própria, capaz de competir com os melhores brancos do mundo.

Por que razão é a casta Alvarinho a sugestão ideal para o verão?

A casta Alvarinho é ideal para o verão porque combina frescura, leveza, aromas vibrantes e uma excelente capacidade de harmonizar com a gastronomia estival. O Alvarinho destaca-se pela sua acidez equilibrada e refrescante, o que o torna ideal para dias quentes. É um vinho que refresca e seduz.

Muito se fala da harmonização entre vinhos e gastronomia. Que tipos de pratos considera ideais para acompanhar um Alvarinho bem estruturado e mineral?

Um Alvarinho bem estruturado e mineral merece pratos com textura, intensidade e elegância. Este tipo de Alvarinho que alia acidez vibrante, corpo firme e notas minerais harmoniza particularmente bem com marisco, sushi, carnes brancas, peixe grelhado e alguns pratos com gordura moderada típicos da gastronomia portuguesa, já que a acidez caraterística da casta Alvarinho irá permitir um bom equilíbrio, ao “limpar” a gordura da comida.

O consumidor moderno está cada vez mais informado e exigente. Quais são as tendências atuais no consumo de vinho em Portugal?

Portugal segue a tendência global de consumir menos vinho, mas de apostar em qualidade, sustentabilidade e inovação. Podemos também dizer que, hoje, o consumidor privilegia vinhos com história e autenticidade.

Outra das tendências remete para vinhos orgânicos e de intervenção mínima, mas também para o crescimento de vinhos brancos, rosés e espumantes. O consumo é cada vez mais consciente, com atenção para a saúde.

As gerações mais jovens, especialmente a Geração Z, têm redefinido os padrões de consumo ao abraçar um estilo de vida mais consciente, onde o vinho ocupa um espaço mais discreto. A chamada geração "sober curious" está a impactar profundamente o mercado, colocando em evidência uma tendência de moderação no consumo de álcool.

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