Inspirados no mar, o que torna estes vinhos portugueses especiais?
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Rafaela Simões
- 7 set 2025, 04:45
Os vinhos Dory, da AdegaMãe, vão muito além do sumo fermentado das uvas. Prestam uma homenagem sem que o mérito de um prémio recente pese no preço.
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Quando abrimos uma garrafa de vinho, não esperamos que ela transforme o momento. Esse papel cabe às circunstâncias e à companhia à mesa. Mas há vinhos que tornam qualquer encontro mais memorável.
É o caso dos vinhos Dory da AdegaMãe, vinhos de Lisboa com terroir atlântico, que se têm vindo a destacar no mercado nas últimas décadas. São vinhos que resultam de uma produção consistente, que alia frescura e autenticidade a um preço justo, características que foram reconhecidas com o prémio como Marca do Ano pela Revista de Vinhos, em 2025.
O reconhecimento dá assim peso às garradas de Dory – branco, tinto e rosé –, no entanto, tal não se reflete no preço, que é um dos mais acessíveis no mercado: a partir de €4,99.
Em conversa com Bernardo Alves, Diretor-Geral da AdegaMãe, a VERSA foi descobrir mais sobre esta marca que presta homenagem às embarcações tradicionais de pesca do bacalhau, representadas até no rótulo. Que tal um gole de história?
Os vinhos Dory têm um nome muito particular. Qual a inspiração por detrás desta gama e como se relaciona com a filosofia da AdegaMãe?
O nome Dory é uma homenagem às embarcações tradicionais de pesca do bacalhau – os “dóris” – utilizadas durante décadas na heroica faina do Atlântico Norte. É um tributo à história da nossa região e também à ligação da família fundadora da AdegaMãe ao mar, através da Riberalves, empresa líder no setor do bacalhau.
Essa inspiração não é apenas simbólica. Tal como os dóris representavam coragem e ligação ao oceano, o vinho Dory traduz a frescura e a identidade atlântica do nosso terroir. É a filosofia da AdegaMãe: criar vinhos que contem histórias e que carreguem no copo a alma do território de onde vêm.
O que torna os vinhos Dory especiais?
Os vinhos Dory – branco, tinto e rosé – da AdegaMãe são a expressão mais autêntica do nosso terroir atlântico e é uma marca que nos orgulha muito, porque rapidamente se tornou um símbolo da casa. A proximidade do oceano, os ventos frescos que atravessam as vinhas e os solos argilo-calcários conferem-lhes frescura natural, acidez vibrante e uma mineralidade única. O Dory Branco, em particular, tornou-se no vinho mais popular da AdegaMãe e uma das referências mais reconhecidas no segmento em Portugal – e não só. Em 2025, a marca foi distinguida como “Marca do Ano” pela Revista de Vinhos, o que reforça a sua relevância e a confiança que o mercado deposita em nós.
De que forma o oceano influencia o perfil aromático e gustativo destes vinhos?
O Atlântico é determinante para o perfil do Dory. As brisas frescas do oceano temperam as vinhas, prolongam a maturação e permitem preservar uma acidez viva e equilibrada. O resultado são vinhos vibrantes, com notas cítricas e frutadas muito expressivas, acompanhadas de uma mineralidade salina que lhes dá caráter.
É um perfil distinto, que só é possível graças à geografia única da nossa região: vinhas de meia-encosta, a apenas 20 km de costa, (as vinhas ficam a 8 kms em linha reta do mar) plantadas em solos argilo-calcários. É como se cada garrafa fosse um retrato fiel do que significa um “vinho atlântico”.
Cada vinho conta uma história. Há algum momento marcante relacionado com os vinhos Dory?
O Dory acompanha toda a história da AdegaMãe. Foi um dos primeiros vinhos lançados, com a colheita de 2010, e desde cedo se afirmou como a nossa imagem de marca. Quinze anos depois, a distinção como “Marca do Ano” pela Revista de Vinhos tem para nós um valor muito especial – é o reconhecimento de um percurso consistente, num momento em que a Região de Lisboa vive o seu melhor ano de sempre em vendas.
Também guardamos com carinho a ligação ao rótulo: uma fotografia histórica de um pescador num dóri, no Atlântico Norte, que inspira a identidade visual da marca. Curiosamente, esse mesmo dóri – o n.º 37 – está hoje exposto na AdegaMãe, como testemunho físico dessa ligação entre passado e presente.
Que tipos de pratos ou experiências gastronómicas aconselharia para acompanhar os vinhos Dory, de forma a realçar a sua singularidade?
Os Dory são vinhos feitos para a mesa e para a partilha. O Dory Branco acompanha na perfeição mariscos, peixe grelhado, sushi, saladas frescas ou pratos vegetarianos. O Dory Rosé é versátil, ideal para petiscos, entradas e momentos descontraídos. Já o Dory Tinto, mais elegante e pouco extraído, surpreende em grelhados, massas ou até com peixe em dias mais quentes.
A filosofia da AdegaMãe é precisamente esta: vinhos frescos, atlânticos, que se adaptam tanto a uma refeição mais elaborada como a um final de tarde com amigos.
Há planos para evoluir a gama Dory, seja com novas castas, edições limitadas ou experiências vínicas inovadoras?
Sim, o Dory é uma marca viva e em constante evolução. A cada vindima procuramos novas formas de interpretar o nosso terroir, sem perder a frescura atlântica que lhe é característica. Já lançámos varietais e edições especiais, e estudamos sempre possibilidades de novas expressões, seja através de castas diferentes, blends, fermentações alternativas ou edições limitadas que aprofundem a ligação ao oceano.
Mais do que inovar por inovar, o que queremos é manter a essência: vinhos atlânticos, frescos e identitários, que continuem a representar a AdegaMãe e a região de Lisboa no mapa dos grandes terroirs.
Este vinho tem um preço bem simpático. Isso compromete a qualidade?
De forma alguma. O Dory é a prova de que qualidade e acessibilidade podem andar de mãos dadas. É um vinho com produção consistente, que alia frescura e autenticidade a um preço justo, razão pela qual se tornou tão popular junto dos consumidores e tão reconhecido pelo mercado.
Para a AdegaMãe a democratização do vinho de qualidade é fundamental e o sucesso do Dory, dentro e fora de portas, confirma que é possível oferecer vinhos com identidade e carácter sem abdicar de um posicionamento acessível.
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Rafaela Simões
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