Descobre os vinhos algarvios da Sul Composto
Descobre os vinhos algarvios da Sul Composto | Fotografia: Pexels
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Conhecemos as praias do Algarve, mas e estes vinhos? Al-Mudd e Terraços da Fóia à prova

No Algarve também se fazem vinhos distintos, com castas improváveis e... em altitude. Conhece a Al-Mudd e a Terraços da Fóia.

Vinhas Sul Composto, no Algarve

O projeto do agricultor espanhol Cristian González Aceña

Existe um Algarve para lá do sol, das praias e dos resorts. Também nas vinhas, a região tem vindo a conquistar espaço e reconhecimento, mostrando que o seu potencial vitivinícola vai muito além das referências mais tradicionais.

Temos por isso de falar no Sul Composto, no Burgau, um projeto algarvio que não tem medo de explorar caminhos menos óbvios. À frente da empresa está Carlos Garcias, cuja experiência ligada à certificação dos Vinhos do Algarve acabou por dar lugar a uma vontade maior: criar vinhos que não apenas pertençam à região, mas que sejam capazes de contar a história dos seus lugares de origem.

Dessa ambição nasceram os vinhos Al-Mudd, produzidos a partir de uvas de vinhas próprias em Lagos e Monchique, e, mais recentemente, os Terraços da Fóia.

Mas o que acontece quando se levam castas como a Riesling e a Sauvignon Blanc para as encostas de Monchique? Poderá a Fóia tornar-se uma nova referência nacional para vinhos de altitude? E até onde pode chegar um projeto que escolheu fazer da experimentação, da autenticidade e da valorização do território os seus principais argumentos?

Com o lema “O caminho faz-se caminhando”, Carlos Garcias fala-nos da história da Sul Composto, da identidade dos Al-Mudd, do potencial ainda pouco explorado de Monchique e da ambição de colocar os vinhos de altitude algarvios no mapa nacional e internacional.

As marcas Al-Mudd e Terraços da Fóia nascem de um projeto profundamente ligado à história familiar e ao território algarvio. Quem são os responsáveis por este projeto e qual a sua história?

A Sul Composto é um projeto que criei movido pela vontade de manter uma forte ligação ao mundo rural e de contribuir para a valorização da vitivinicultura algarvia. Depois da experiência vivida na entidade certificadora dos Vinhos do Algarve, senti que era o momento de desenvolver um projeto próprio, assente na inovação, na experimentação e na valorização do território. A marca Al-Mudd nasceu com o objetivo de produzir vinhos genuinamente algarvios, que expressem a identidade da região. Mais recentemente, os Terraços da Fóia representam uma nova etapa deste percurso, com uma aposta pioneira na produção de vinhos de altitude em Monchique, explorando um terroir único e ainda pouco conhecido.

O Algarve tem vindo a afirmar-se cada vez mais no panorama vitivinícola nacional. O que distingue os vinhos Al-Mudd da restante produção algarvia?

Os vinhos Al-Mudd distinguem-se pela procura constante de identidade, autenticidade e inovação. Trabalhamos exclusivamente com uvas das nossas vinhas em Lagos e Monchique, aproveitando dois terroirs muito distintos: a influência atlântica junto ao mar e a frescura proporcionada pela altitude. A aposta em castas como Riesling, Sauvignon Blanc e na produção de espumantes de altitude permite-nos criar vinhos elegantes, frescos e muito expressivos, mostrando uma faceta diferente e surpreendente do Algarve.

Um dos projetos mais ambiciosos da Sul Composto é a produção de um Riesling na Fóia, a cerca de 700 metros de altitude. Que potencial enológico encontra neste terroir singular de Monchique?

Os Terraços da Fóia, na Quinta de São Francisco, reúnem condições excecionais para produzir vinhos de grande qualidade. A altitude, a exposição a norte, os solos de origem sienítica, a elevada pluviosidade e a forte amplitude térmica criam um ambiente muito favorável à maturação lenta das uvas. Estas condições permitem preservar a acidez natural, a frescura e a intensidade aromática, originando vinhos elegantes, equilibrados e com excelente potencial de envelhecimento. Acreditamos que este terroir pode afirmar Monchique como uma nova referência nacional para vinhos de altitude.

Em termos de viticultura e vinificação, que práticas ou abordagens considera mais inovadoras neste momento?

A nossa principal aposta passa por respeitar a identidade de cada vinha e adaptar todas as decisões às características de cada parcela. Procuramos intervir apenas o necessário, permitindo que o terroir se expresse naturalmente no vinho. A produção em altitude, a experimentação de novas castas, os pequenos lotes e uma abordagem assente na sustentabilidade e na autenticidade são hoje os principais fatores diferenciadores do projeto.

O lema do projeto é “O caminho faz-se caminhando”. Olhando para os próximos anos, qual é a grande ambição para os vinhos daqui em diante?

A nossa ambição é consolidar as marcas Al-Mudd e Terraços da Fóia como uma das referências dos vinhos do Algarve e contribuir para afirmar Monchique como uma nova origem de vinhos de altitude em Portugal.

O Enoturismo está também nos nossos horizontes. Desenvolvemos recentemente uma parceria sob o tema “4 em 1”, onde as experiências vínicas decorrem na Adega Monte do Além, em Lagos-Odiáxere e contam com vinhos de quatro produtores locais.

Temos ainda a “Monchique Wine Experience”, na Quinta de São Francisco, perto da Fóia, com visita à vinha e degustação de vinhos de altitude. Queremos continuar a inovar, explorar o potencial deste território e produzir vinhos cada vez mais distintivos.

A médio prazo, acreditamos que Monchique poderá ganhar reconhecimento próprio na produção de espumantes e vinhos de altitude, reforçando o prestígio da região e demonstrando que o Algarve tem capacidade para produzir vinhos de excelência, competitivos a nível nacional e internacional.

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