A 500 metros de altitude, há um novo produtor de vinhos a recuperar vinhas centenárias no Douro
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Rafaela Simões
- 19 mai, 18:16
Um novo produtor, novos vinhos e novas experiências. Conhece a Quinta dos Loivos, o novo produtor do Douro que acaba de lançar duas marcas.
Já ouviste falar na Quinta dos Loivos? O novo produtor do Douro
Quinta da Vacaria apresenta dois novos tintos, colheita de 2022
Quando falamos da região do Douro, temos automaticamente de falar de vinho, não fosse ela classificada como Região Demarcada do Douro (RDD), a região vinícola regulamentada mais antiga do mundo. E, apesar da antiguidade, há sempre novidades a surgir. A última boa nova? A chegada do novo produtor Quinta dos Loivos.
As vinhas desta quinta erguem-se a uns surpreendentes 500 metros de altitude e são também particulares por se tratarem de vinhas velhas e centenárias trabalhadas à mão e de acordo com práticas sustentáveis e regenerativas, respeitando assim a evolução natural de cada videira. No total? Uma biblioteca de 74 castas, três micro-terroirs e vinhos com personalidades distintas e marcadas.
Da Quinta dos Loivos acabam de nascer duas marcas, a Quinta dos Loivos e Venera, que se dão a conhecer in loco na adega própria, assim como no espaço de enoturismo em Alijó que proporciona experiências distintas a quem visita este novo produtor.
E, para o conhecermos ainda melhor, falámos com Ana Mota, Diretora de Operações da Quinta dos Loivos, que nos explica que projeto é este e as razões para o provarmos no copo daqui em diante.
Por quem foi pensado e criado o projeto Quinta dos Loivos?
O projeto Quinta dos Loivos foi concebido pela SOLO MAIOR, uma empresa de turismo e enoturismo que reúne um conjunto de profissionais experientes em várias áreas ligadas ao vinho e ao território, unindo competências técnicas, criativas e estratégicas. Entre os responsáveis diretos pelo projeto estão Bruno Simões, responsável de Desenvolvimento de Negócio; Jorge Alves, enólogo responsável; André Almeida, responsável de Marketing e Vendas; Adriana Covas, enóloga residente; e Ana Mota, diretora de operações. Juntamo-nos a Eduardo Aires, na área do design; Nicolas Grassi, no branding; e, Carlos Castanheira, na arquitetura.
Em que é que se distingue este projeto dos restantes produtores da Região Demarcada do Douro?
Além de uma equipa que conta grandes profissionais dinâmicos, a Quinta dos Loivos distingue-se pela conjugação de vinhas velhas e centenárias, por uma altitude invulgar e por um trabalho totalmente manual que respeita a evolução natural de cada videira. A este fator junta-se uma orientação clara para práticas sustentáveis e regenerativas, assumidas desde 2025 com a gestão de viticultura por mim, Ana Mota. A conceptualização dos vinhos segundo a exposição solar das parcelas – Sul, Nascente e Poente – reforça a identidade artística e sensorial do projeto. Além disso, existe uma forte ligação entre paisagem, história e produção, complementada por ambições na área do enoturismo, incluindo a construção de uma adega e de um espaço destinado a receber visitantes. Estes elementos criam um posicionamento singular, onde a sofisticação e a tradição, a qualidade, sustentabilidade e visão contemporânea convivem harmoniosamente.
O terroir de Casal de Loivos é singular. O que faz dele tão único?
A Quinta dos Loivos conta com várias singularidades: a altitude é um fator determinante dos nossos vinhos, que expressam um perfil claramente duriense aliado a uma sofisticação e elegância conseguida em grande pelas cotas até aos 500 metros da nossa propriedade. Fez parte do desenvolvimento do projeto um estudo aprofundado do solo e a georeferenciação e identificação de cada casta. Este estudo permitiu isolar três micro-terroirs que têm muito que ver com o formato em “chapéu” das nossas parcelas, no cume de Casal de Loivos, por lá conseguirmos maiores amplitudes térmicas, quer de verão ou inverno. O solo é maioritariamente xistoso, compacto e pouco profundo devido ao facto das plantações serem muitas delas seculares e terem sido feitas com surribas manuais, faz com que haja uma maior retenção da água das chuvas a níveis ótimos para absorção por parte das plantas e, ao mesmo tempo, uma boa drenagem. Assim sendo, a conjugação do solo, altitude e uma biblioteca de 74 castas, todas elas georreferenciadas na propriedade, resultam num terroir único, diferenciado e de grande importância patrimonial.
Optaram por manter um trabalho 100% manual. O que representa esta decisão em termos de qualidade, identidade e sustentabilidade?
A nossa missão é fazer vinhos autênticos que reflitam um respeito absoluto pela sua origem. A preservação das vinhas velhas, para nós, é fundamental, pois estas representam uma parte do património cultural da região – antigamente as parcelas eram plantadas num sistema de mistura de castas e é algo que queremos preservar. Como consequência disso mesmo, temos a impossibilidade de mecanização nos processos vitícolas. No entanto, essa condicionante é um agregador de valor e diferenciação : a complexidade das vinhas velhas, a importância do património ampelográfico e a preservação desta identidade duriense definem o projeto Quinta dos Loivos. Ao mesmo tempo, fazemos o mínimo de mobilização do solo, enquanto que a matéria orgânica deixada pelos animais encerra um ciclo de carbono completo, melhorando a estrutura e a regeneração do ecossistema. Queremos sincronizar-nos com a natureza e as práticas agrícolas vão evoluir para uma agricultura sustentável tendendo para a biodinâmica pura.
Lançam agora duas marcas, Quinta dos Loivos e Venera. Como se distinguem entre si e que perfis de vinho pretendem oferecer ao mercado?
As duas marcas apresentam abordagens complementares. A gama Quinta dos Loivos expressa diretamente as diferentes parcelas da própria quinta, articulando-se através de três vinhos – Sul, Nascente e Poente – que representam a influência da luz solar ao longo do dia e o impacto desta em cada uma das parcelas. Cada um deles traduz uma personalidade distinta: maior concentração e equilíbrio no Sul, frescura e tensão mineral no Nascente e profundidade estrutural e longevidade no Poente.
Já a marca Venera presta homenagem ao Douro através de vinhos provenientes de castas autóctones e vinhas velhas de outros produtores em conjugação com as nossas uvas. São acompanhadas durante o seu ciclo pela equipa da Quinta dos Loivos, resultando em vinhos onde prestamos homenagem, especialmente nos vinhos brancos, aos pequenos agricultores da nossa comunidade e à tradição duriense.
Olhando para o futuro, quais são as ambições para a Quinta dos Loivos enquanto novo produtor duriense?
A Quinta dos Loivos procura afirmar-se como um produtor que une autenticidade, excelência e sustentabilidade respeitando o património natural e cultural da região. A construção de uma adega própria e a criação de um espaço de enoturismo encontram-se entre os objetivos principais, abrindo caminho a experiências que permitam aos visitantes “mergulhar” no território.
A presença no mercado será reforçada através das principais garrafeiras e restaurantes de referência, bem como nos espaços SOLO MAIOR. A ambição maior é tornar-se uma referência duriense contemporânea, capaz de integrar tradição, sustentabilidade e sofisticação, enquanto revela ao público a profundidade e singularidade das vinhas velhas de Casal de Loivos.
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