Altitude by Duorum. Fotografia: D.R.
Gourmet

Convertemo-nos ao vinho tinto e a culpa é deste produtor

O inevitável aconteceu e agora vamos ter de (Duo)plicar a garrafeira com a novidade da João Portugal Ramos Vinhos. 

No início da febre do sushi, provei mais de sete vezes e não consegui gostar. Até ao dia em que pensei “hoje vou gostar de sushi”. E a coisa deu-se. Também não amava sardinhas até que num almoço de verão o calor puxou o vinho (branco) e depois a sardinha e agora até as de lata aprecio. E não gostava de vinho tinto, até à noite em que me foi apresentado o novo Altitude by Duorum, marca do produtor João Portugal Ramos.  

Depois de noutras ocasiões ter provado algumas das melhores referências de vinho tinto, segundo os especialistas no assunto, mas que não me convenceram, chegou finalmente o meu dia. 

E a minha nova relação com o vinho tinto iniciou-se com o Altitude que, independentemente da crítica que pode ou não ser controversa, para mim fica como aquele que me fez gostar (pela primeira vez) do tipo de vinho mais apreciado em Portugal e que mais se bebe nesta estação. 

O novo Duorum é “uma homenagem à biodiversidade e sustentabilidade na quinta de Castelo Melhor”, referiu João Perry Vidal, diretor de viticultura da Duorum, na apresentação da colheita de 2020.

Através de um estudo sobre o impacto ambiental da plantação de vinha na quinta, percebeu-se que a biodiversidade aumentou, pelo que o novo vinho vem acompanhado no rótulo por uma das espécies protegidas.

Como costuma dizer João Perry Vidal, hoje todos falam de sustentabilidade. Nós temos uma coisa gira: somos uma empresa de enólogos e de agrónomos. Uma pessoa, por norma, quando vai para a agronomia é porque gosta do campo. E quem gosta do campo é a pessoa que mais cuida dele. E nós, tanto no Alentejo, como no Douro e na Foz de Arouce, sem pensarmos nisso, sempre fomos sustentáveis”, explicou à Versa João Maria Portugal Ramos, enólogo do Grupo e filho de João Portugal Ramos.   

O resultado das práticas sustentáveis do produtor da região do Douro está agora numa garrafa de vidro leve, com o rótulo Altitude by Duorum. Lá dentro tem-se um vinho de cota alta (400 a 500 metros), feito a partir de um blend das castas típicas da região — Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz —, que lhe dão uma cor vermelha profunda e um aroma intenso.  

No dicionário próprio dos enólogos, é um vinho encorpado, com acidez equilibrada, taninos firmes, maduros e suaves e final fresco e persistente. Já eu posso descrevê-lo como um vinho que pede para ficar alguns segundos na boca a descobrir a fruta madura.  

Vou (Duo)plicar a garrafeira

Com o Altitude (à venda a partir dos 9€) cheguei onde queria um dia chegar: apreciar um bom copo de vinho tinto. O passo seguinte é aumentar a garrafeira. Segundo João Maria Portugal Ramos, este terá sido para mim um vinho mais fácil de gostar pelo facto de ser “sem açúcar. Seco. Um vinho guloso, que dá prazer beber”.

E se és apreciador de vinho tinto, fica com as dicas de quem percebe, o próprio João Maria Portugal Ramos: 

1. Acompanhar com a comida certa 

“Para facilitar o gostar de um vinho tinto, a comida é importantíssima — como para qualquer vinho. Mas especialmente os vinhos portugueses são feitos para acompanhar as refeições. Acho que é muito importante bebermos vinho tinto com comida.” 

2. Ter atenção à temperatura 

“O vinho não deixa de ser uma bebida e muitas vezes caímos no erro de servir o vinho tinto quente. O vinho tem de estar fresco [entre os 12 e os 18°C]. Aquecer o vinho é fácil. Arrefecer é que é difícil. Portanto, mais vale servir um vinho fresco à mesa e, se estiver muito fresco, aquece-se em dois minutos. No meu entender, dá muito mais prazer beber uma bebida fresca do que quente." 

3. Provar para aprender a gostar (been there, done that)  

“O vinho, em geral, vai-se aprendendo a gostar. Começa-se com vinhos mais novos, com mais fruta, mais fáceis de gostar. E devagarinho vamos conseguindo. Normalmente, depois começa-se a adorar vinhos mais velhos. Acho que é muito importante provar vinhos diferentes.” 

4. Conhecer o vinho 

“Acho que é interessante informarmo-nos sobre o que estamos a beber. A região. Porque o vinho remete-nos para um local e tem história. Não estamos a beber uma Coca-Cola. Estamos a beber um produto que vem de um sítio, de um produtor que tem o seu estilo. É giro, num jantar de amigos, explicar um bocadinho o vinho. ‘Olha, vi que este vinho é do produtor tal, da vinha tal e o clima foi assim naquele ano’. E essa parte da história mete-nos dentro do vinho.” 

5. Encontrar o equilíbrio  

“A maior virtude um vinho é ser equilibrado. Um vinho muito ácido não é bom. Sem acidez nenhuma também não. Um vinho muito madurão igual. O vinho tem de ter equilíbrio e traduz-se em harmonia quando bebemos um vinho.” 

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