Arinto – Portuguese Terroir
Arinto – Portuguese Terroir | Fotografia: D.R.
Gourmet

Há um espaço em Lisboa onde podes provar castas raras e vinhos desconhecidos

O Arinto – Portuguese Terroir não tem só uma garrafeira de vinhos interessante. Dá-lhes destaque em provas e a próxima promete descobrir algumas surpresas.

Arinto – Portuguese Terroir: o espaço onde podes conhecer melhor os vinhos portugueses

Junta-te às provas de vinhos do Alma54

No coração de Lisboa há um espaço que convida a viajar pelo país sem sair da cidade. Chama-se Arinto – Portuguese Terroir, na zona de Alcântara, Lisboa e nasceu da vontade de dar a conhecer a riqueza do vinho português, das castas autóctones aos diferentes terroirs, passando por pequenos produtores e referências pouco conhecidas. E também castas brancas raras portuguesas, que vão ser o foco do próximo evento marcado para 26 de julho. Mas já lá vamos.

Primeiro, conheçamos o Arinto – Portuguese Terroir

Um projeto que começou longe de Portugal

A história do Arinto começou, curiosamente, do outro lado do Atlântico. O projeto foi criado por Pedro Monteiro, engenheiro e gestor industrial de 47 anos, e David Martins, empresário de 45 anos, dois amigos que decidiram transformar uma paixão antiga num negócio após regressarem de vários anos a viver em Buenos Aires.

"Durante os anos que vivi em Buenos Aires comecei a organizar provas de vinhos portugueses e foi aí que percebi o enorme interesse que existia pelos nossos vinhos, mas também o pouco que se conhecia sobre eles. Quando regressei a Portugal decidi criar o Arinto, juntamente com o David", conta Pedro Monteiro, founder, wine curator e general manager do Arinto – Portuguese Terroir, à VERSA.

Apesar do nome, o Arinto não é um espaço dedicado exclusivamente à emblemática casta branca portuguesa.

"O Arinto é um espaço dedicado à promoção e divulgação do vinho português. Reunimos vinhos de todas as regiões do país, desde os estilos mais clássicos aos mais modernos, procurando mostrar a enorme diversidade das nossas castas autóctones e dos diferentes terroirs portugueses", explica Pedro Monteiro.

Mas, é claro, a casta Arinto tem destaque. "Pela sua relativa neutralidade aromática, grande versatilidade e capacidade de refletir as diferenças de solo e clima, acreditamos que o Arinto é uma das castas que melhor expressa o terroir português", afirma.

A oferta vai ainda além-fronteiras, com uma seleção especial dedicada aos vinhos de ilhas vulcânicas, onde se encontram referências dos Açores, Madeira, Canárias, Etna e ilhas gregas.

Muito mais do que vinho

Quem passa à porta do Arinto – Portuguese Terroir encontra uma garrafeira bem composta, mas logo percebe que o conceito vai muito além da venda de garrafas. Este é também um wine bar, que permite provar dezenas de referências a copo, acompanhadas por pequenos petiscos.

"Queremos que qualquer pessoa se sinta à vontade para entrar, mesmo que não perceba nada de vinho", garante Pedro Monteiro. "Gostamos de conversar com cada cliente, perceber os seus gostos e sugerir vinhos que dificilmente encontraria noutro espaço. Quem quiser pode simplesmente beber um copo ou fazer uma pequena degustação personalizada", continua.

Para além dos momentos espontâneos, há provas de vinho organizadas mensalmente no Arinto – Portuguese Terroir. "Realizamos normalmente uma ou duas provas por mês: uma temática organizada por nós e outra com um produtor convidado. Quando convidamos um produtor, procuramos apresentar vinhos ainda não lançados no mercado, colheitas antigas ou provas verticais. Nas provas temáticas, gostamos de explorar temas menos comuns como por exemplo uma colheita única de vinhos dos Açores, vinhos laranja, vinhos portugueses com véu de flor, etc... São eventos lúdicos, mas que contam sempre com uma componente didática também", afirma Pedro.

Julho está a acabar e encerra na perfeição com uma prova bem especial: no próximo 26 de julho, às 18h30, o Arinto – Portuguese Terroir recebe a última sessão do ciclo dedicado às castas raras portuguesas, desta vez centrada nas castas brancas. Tem duração prevista de duas horas. 

Segundo Pedro Monteiro, Portugal possui mais de 250 castas autóctones identificadas, muitas das quais sobreviveram apenas em pequenas parcelas de vinhas velhas ou permaneceram esquecidas durante décadas e na prova os participantes poderão provar monocastas produzidos precisamente a partir dessas variedades recuperadas.

"Reunimos monocastas produzidos a partir dessas variedades, fruto do trabalho de recuperação que alguns produtores têm vindo a desenvolver", explica. E os preços destes vinhos variam muito. "Alguns são naturalmente mais caros devido às pequenas produções e à raridade da casta, mas o preço depende sobretudo da forma como o vinho é produzido e do posicionamento de cada produtor", completa o engenheiro e dono do Arinto - Portuguese Terroir.

Bons vinhos sem gastar uma fortuna

Algo que o Arinto – Portuguese Terroir tenta mostrar a quem por ali passa é que, não, não é preciso pagar caro para beber um bom vinho. "Portugal continua a ser um dos países com melhor relação qualidade/preço no mundo do vinho", sublinha Pedro Monteiro.

No espaço, os vinhos a copo variam entre €7 e 11, enquanto as garrafas para consumo no local começam perto dos €20. Entre as sugestões da casa encontram-se produtores como Micasta, Pitau, Mainova, Xisto Ilimitado ou Vizinho Vinhateiro.

E, depois, há outras descobertas. Como o Ramilo Boal Ratinho 2025, que surpreendeu recentemente Pedro Monteiro. "É um excelente exemplo do potencial de uma casta praticamente desconhecida e mostra que ainda existe muito património vitícola português por descobrir."

Essa missão de revelar novas perspetivas estende-se também a regiões que continuam envoltas em preconceitos, como acontece com os Vinhos Verdes.

"É frequente vermos clientes que chegam a dizer que 'não gostam de Vinho Verde' e acabam surpreendidos", conta, explicando que muitos consumidores continuam a associar a designação apenas a vinhos leves, gaseificados e económicos, esquecendo que se trata de uma região demarcada onde se produzem brancos, tintos, rosés, espumantes e até licorosos.

O que aí vem

Os próximos meses prometem manter o espírito de descoberta que caracteriza o wine bar. Entre os projetos que estão a ser preparados encontram-se uma prova dedicada a um produtor especializado na microvinificação de parcelas de vinhas centenárias da região de Lisboa, um ciclo sobre vinhos das Ilhas Canárias e uma nova sessão dedicada exclusivamente aos vinhos dos Açores da colheita de 2019.

Para quem gosta de vinho – ou simplesmente tem curiosidade em conhecer melhor um dos maiores patrimónios portugueses – o espaço em Alcântara continua a afirmar-se como um dos endereços mais interessantes da capital para descobrir histórias que começam na vinha e terminam no copo.

Arinto – Portuguese Terroir
Localização: Rua Prior do Crato 48, 1350-261 Lisboa
Horário: terça-feira a domingo, a partir das 17h (até às 23h ao domingo; até às 00h de terça a quinta-feira; e até às 01h sexta-feira e sábado)
Reservas: 932 726 770
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