O Vinho da Madeira está agora a caminho de um novo e ambicioso destino: o reconhecimento como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A candidatura foi revelada no âmbito das comemorações do Bicentenário da travessia do navio Restauration, um episódio histórico que reforça a ligação entre a ilha e a Noruega, e no qual, curiosamente, o Vinho da Madeira também teve um papel simbólico.
O projeto integra-se numa abordagem de turismo regenerativo integrado, centrado na preservação da viticultura tradicional da ilha. O objetivo? Canalizar o crescente fluxo de visitantes para apoiar diretamente os pequenos viticultores, promovendo não só o icónico Vinho da Madeira, como também os saberes, as práticas e o território que o tornam único.
A candidatura ganha ainda mais força ao ser associada ao episódio histórico do Restauration, navio norueguês que em 1825 transportou o primeiro grupo de emigrantes para os Estados Unidos. Durante a travessia, fez uma inesperada paragem no Funchal, marcada por um insólito momento: a tripulação encontrou um barril de Vinho da Madeira a flutuar no mar. Segundo relatos da época, o vinho terá contribuído para um ambiente festivo a bordo, tanto que, à chegada à ilha, os passageiros foram inicialmente vistos com desconfiança, mas depressa acolhidos com generosidade pela população local.
A candidatura à UNESCO vem celebrar duzentos desta viagem, mas não se limita a valorizar o vinho. Quer antes dignificar as Tradições do Vinho Madeira, assim como um conjunto de práticas agrícolas, saberes passados entre gerações e técnicas de vinificação que formam um verdadeiro património vivo.
Esta candidatura tem o apoio de entidades como a Universidade da Madeira, a Cátedra UNESCO da Universidade de Évora e o Instituto do Vinho, o Bordado e Artesanato da Madeira (IVBAM) e o projeto HeViTOUR MAD.
Mostramos na galeria de imagens o dito vinho que tão bem representa Portugal e as suas tradições.
