Passaram 25 anos desde a primeira vindima na Quinta de Chocapalha, localizada nos arredores de Aldeia Galega e nas colinas soalheiras de Alenquer, um momento que, como todos os anos, é marcante. Depois da primeira vindima, em 2000, procedeu-se ao engarrafamento dos melhores vinhos aí produzidos e assim tem sido ano após ano. Mas a história é ainda mais longa.
A Quinta de Chocapalha é um negócio familiar que surgiu em 1987, quando Paulo e Alice Tavares da Silva decidiram abraçar um grande projeto de família num local onde se pudesse produzir vinho de excelente qualidade. Com eles está a conceituada enóloga Sandra Tavares da Silva, que é a autora de alguns dos melhores vinhos nacionais.
Os vinhos podem ser provados na Quinta de Chocapalha numa visita à quinta e adega, adega esta que tem um design especial, como explica à VERSA Andrea Tavares da Silva, Gestora da Quinta de Chocapalha.
Este ano celebram a 25.ª vindima da Quinta de Chocapalha. Esta vindima tem um significado especial?
Todas as vindimas são especiais, é um momento muito esperado, com imensa emoção e expectativas. É o receber na adega o trabalho de 12 meses e do acumulado de anos anteriores. Celebrar 25 anos é uma alegria enorme, para a família e toda a equipa que nos acompanha. A propriedade onde hoje nos encontramos foi adquirida pela família em 1987, quando o nosso pai, ex-comandante da armada, decidiu trocar o mar pela terra. Nos anos seguintes houve um intenso trabalho de restruturação e replatanção total dos 45 hectares de vinhas, tendo a primeira vindima acontecido há precisamente um quarto do século. Só na vindima de 2000, momento em que as vinhas atingiram a sua maturidade e qualidade pretendida, se decidiu proceder ao engarrafamento dos melhores vinhos aí produzidos. De lá para cá muita coisa mudou, mas ainda é com emoção que recordamos esse momento, o qual deu origem aos primeiros vinhos da Quinta de Chocapalha.
A enologia da casa tem a assinatura da Sandra, já reconhecida a nível nacional e internacional. De que forma a sua identidade vínica se tem refletido nos vinhos de Lisboa e no posicionamento da Chocapalha?
A Sandra é a assinatura dos vinhos Chocapalha desde o nosso início. Em 2000, desafiou os nossos pais a recuperar e equipar uma das adegas originais de Chocapalha para começarmos a produzir vinho com as nossas melhores parcelas, que mostrassem o terroir tão especial desta Quinta. Vinhos elegantes, frescos, equilibrados com um extraordinário potencial de envelhecimento. Vinhos gastronómicos que juntam pessoas. A Sandra produz vinhos com identidade, que mostram bem de onde são produzidos, mantendo sempre uma elegância e equilíbrio fantástico. A sua experiência e reconhecimento ajudam a promover as características da região de Lisboa. De referir o trabalho que é feito com a casta Arinto, um porta-estandarte do nosso projeto familiar, de que é exemplo uma das referências mais recentes, isto é, o Arinto Antigo, oriundo de vinhas velhas, com idades superiores a 30 anos.
A propriedade nasceu como um projeto de família e continua a ser gerida dessa forma. Como é que dividem responsabilidades?
A Chocapalha é de família e, neste momento, duas gerações estão envolvidas directamente no projecto. A distribuição das responsabilidades é natural, e feita em função das competências, conhecimento, experiência e vontade de cada um dos elementos da família. Se à minha irmã Sandra é incutida a responsabilidade de enologia, sempre em conjunto com o nosso enólogo residente, à minha mãe, Alice, cabe a função de bem receber todos aqueles que nos visitam, já que o projeto de enoturismo tem também um cunho muito pessoal.
O enoturismo tornou-se essencial na Chocapalha, atraindo cerca de 3.000 visitantes por ano. O que procuram transmitir a quem vos visita?
Na Chocapalha a agricultura é vista como uma actividade de grande nobreza e que valoriza todos os que abraçam este projecto. Tudo o que a natureza dá é uma dádiva, em particular o vinho. O vinho proporciona momentos de prazer e alegria, inspirando o modo de receber. O enoturismo é um modo de mostrarmos quem somos, as nossas práticas agrícolas, o nosso terroir único, que é espelhado nos nossos vinhos e, também, aquilo que a natureza nos proporciona e toda a sua beleza envolvente. Recebemos todos os que nos visitam de braços abertos com alegria em partilhar a nossa filosofia e história. E, além das habituais provas de vinho e visitas guiadas, também contamos com uma adega de design, inserida e integrada na paisagem, uma das primeiras a surgir na Região dos Vinhos de Lisboa e um ex-líbris da Chocapalha.
Por falar na adega, quem pensou no projeto de arquitetura contemporânea?
O pai, sem dúvida, com muita ajuda na parte técnica da Sandra e do arquiteto. João Pedro Serôdio, responsável pelo projeto e que tão bem projectou o que queríamos. O impacto junto dos visitantes é enorme, pois a adega é praticamente invisível de fora. Um projecto sustentável, muito bem enquadrado em termos paisagísticos e extremamente funcional.
O que distingue a experiência de enologia da Quinta de Chocapalha a apenas 40 minutos de Lisboa?
Uma experiência privada, em família e genuína. Todo o visitante é recebido por alguém da família, sendo por norma a minha mãe a anfitriã. Orgulhamo-nos pela proximidade que criamos nestes momentos. Tem sido assim desde o começo.
O que não se pode mesmo perder numa visita à Quinta de Chocapalha?
As pessoas de Chocapalha, a paisagem maravilhosa com a Serra de Montejunto mesmo à nossa frente, as vinhas espalhadas por toda a nossa volta, o cheiro da brisa do Atlântico tão perto de nós. Todas estas sensações aumentam a vontade da visita à adega, de ouvir as nossas explicações sobre a vinificação, estágio e no final a experiência vínica.
Que novidades podemos esperar para os próximos anos?
O crescimento da família Chocapalha, o querer fazer mais e melhor.
