Quinta do Sampayo
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Um sonho cor rosé e a história de uma filha que não desistiu de fazer vinho

Entre um sonho antigo e vinhas que voltaram a ganhar vida, a Quinta do Sampayo renasceu pelas mãos da família Macedo e agora abre-se um novo capítulo com um novo vinho.

Quinta do Sampayo tem muitos mais anos do que aqueles que a nossa memória pode recordar, por isso a história é-nos contada por Ana Macedo, filha de José Júlio de Macedo, o responsável por um sonho: "Produzir o melhor vinho". 

"O meu pai foi passear para a zona do Cartaxo e estava uma propriedade de vinho à venda, a Quinta da Caneira. Comprou a Quinta da Caneira e pensou, 'hm, é muito pequenino, não é bem isto que eu quero'. Foi então que perguntou: 'Aquela quinta ali ao fundo está à venda?". Disseram-lhe que achavam que não. 'Então, olha, vão saber, porque quero comprá-la". E, então, comprou a Quinta do Sampayo", conta a atual proprietária. 

Da união entre a Quinta do Sampayo e a Quinta da Caneira nascia assim um projeto maior, mas o processo foi longo. Em 1995 começou a plantação, em 1997 conseguiu-se a primeira produção e até 2013 a produção foi plena. No entanto, era muito vinho em casa. 

"Apanhámos aquela época em que o vinho não valia nada, era muito barato, não interessava a qualidade. E o meu pai nunca quis baixar o preço", avança Ana. Em 2013 a adega estava cheia e compraram outra adega de armazenamento, que também não conseguiam escoar. Foi então que José Júlio de Macedo tomou a difícil decisão: parar a produção.

"Ficámos sempre com a quinta, mas em serviços mínimos, como eu costumo dizer. As vinhas não foram abandonadas, contrariamente àquilo que já se escreveu. Faziam-se os tratamentos indispensáveis para que elas não morressem e a uva era vendida a outras adegas da zona. E estivemos assim de 2013 a 2022", conta Ana.

2022 foi, então, um ano decisivo e, ao mesmo tempo, emotivo. José Júlio de Macedo já tinha morrido e a filha, Ana, decidiu que estava na altura de mostrar a quinta aos filhos, Madalena, na altura com 8 anos, e Ricardo, com 6 naquele ano. "Ela, muito despachada, como sempre, disse: 'Isto é meu?'. E eu assim: 'Não, é nosso'. E acabou por dizer: 'Então olha, mãe, fica connosco.". E assim foi.

Mas Pedro Emídio, marido de Ana Macedo, fez a questão que alguém tinha de fazer: "Mas o que é que fazemos com isto?". Vinho foi a resposta imediata, não tão imediato foi o processo. Foi preciso pôr os equipamentos operacionais, fazer revisões, construir uma ETAR e, claro, arranjar um enólogo. 

Ana Macedo chegou ao contacto de Marco Crespo, que quis, desde o primeiro contacto, que fosse o enólogo da Quinta do Sampayo. Começou como consultor durante o primeiro ano do projeto, mas logo passou a enólogo oficial, tendo sido a primeira contratação da quinta. 

A equipa de campo foi depois crescendo e após o enólogo veio o viticultor, que é atualmente André Domingos, que deixou uma casa onde estava há vários anos para se dedicar à Quinta do Sampayo com todo o entusiasmo.

Já lá vão alguns anos de trabalho, quatro vinhos lançados e mais um que acaba de dar um novo boost à marca. 

Um rosé que quer mudar paradigmas 

A Quinta do Sampayo lançou a 8 de abril, no hotel Pine Cliffs Resort, em Albufeira, o seu novo Quinta do Sampayo Rosé 25. Trata-se de um blend das castas Castelão e Aragonez, resultado de uma vindima manual, com desengace total seguido de ligeira prensagem e decantação estática a frio durante 48h, antes da fermentação em depósito de inox. 

Mas... a questão que se impõe: porquê um rosé e porque não, por exemplo, um espumante?

"Fazia sentido para nós termos a continuação da nossa linha. Nunca tivemos rosé na Quinta de São Sampayo, o meu pai nunca quis. Queria fazer espumante, mas não correu bem, esqueçam lá isso. Pinot Noir na região do Cartaxo não resulta. Temos que respeitar a terra e as características da terra. Porquê inventar? Há zonas tão boas para fazer isso, então não vamos confundir", explica-nos Ana Macedo. 

Contudo, bem sabemos que há, ainda, um certo estigma sobre os vinhos rosé, alguns classificados como vinhos de piscina, no entanto, este é muito diferente: é um vinho gastronómico que nos vai fazer pedir expressamente por um rosé. 

"O nosso rosé acompanha uma refeição muitíssimo bem. Quer peixe, quer uma carne ligeira. Um risotto...", pelo que fica a ideia. 

E já que é para quebrar mitos...

Agora que já entendemos que rosé não é um vinho só para uma tarde de sol ou um combinado de sushi, resta desmitificar a ideia de que um vinho vegan é um mau vinho. Os vinhos da Quinta do Sampayo têm este selo, que nos é explicado melhor por Ana Macedo. 

"O selo vegan, ou a certificação vegan, só significa que cumpre determinados critérios. Não significa que só cumpre determinadas características. Não tem a ver com alterar a característica do vinho: o vinho é produzido de uma forma que cumpre os critérios da certificação", clarifica.

O próximo passo? Fica em aberto, mas uma coisa é certa: "As vinhas gostaram do nosso regresso. Acho que elas gostam do nosso mimo. E sabe porque acho isso? Porque estão a responder com mais vitalidade e mais produção. Sei que é romântico, mas eu acredito nisso", remata a proprietária da Quinta do Sampayo.

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