Quando a Sandeman junta arte ao vinho, o resultado é a obra de UIVO
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Rafaela Simões
- 3 jul, 18:33
A produção de vinho é, por si só, uma arte, mas o conceito pode ir ainda mais longe quando falamos no Porto Reserva Ruby da Sandeman. Prontos para a 4.ª edição especial do Founder’s Reserve?
Vinho do Porto Sandeman Founder’s Reserve com imagem assinada pelo UIVO
Fã de vinho do Porto? Várias propostas
Começar a apreciar um Vinho do Porto pode muito bem acontecer antes da primeira prova. O que envolve a garrafa também conta e a Sandeman, marca de Vinho do Porto da Sogrape, tem levado esse primeiro contacto mais longe.
A marca já vai na 4.ª edição especial do Founder's Reserve, este ano com uma nova imagem, intitulada Pele Viva, assinada por Gonçalo Fialho, mais conhecido como UIVO. O artista transporta para o universo da arte urbana a energia e a juventude deste Porto Reserva Ruby, numa obra que se inspira na biodiversidade do Douro e na longevidade de uma marca com mais de dois séculos de história.
Com esta nova edição, UIVO mostra como o património pode ganhar novas leituras através do olhar de criadores contemporâneos, tal como explica à VERSA o próprio Gonçalo Fialho. Com ele, ficámos a perceber como nasceu esta colaboração e o significado de Pele Viva. É ainda feita uma reflexão sobre o papel da arte na capacidade de uma marca histórica continuar a surpreender e a manter-se relevante junto das novas gerações.
Brindamos à novidade? Não sem antes perceber a sua essência.
Como surgiu a parceria com a Sandeman para esta 4.ª edição especial do Founder’s Reserve?
A colaboração nasceu de forma orgânica e inesperada no final da primavera de 2025. Fui surpreendido pelo convite de Sandeman e, desde o primeiro contacto, estabeleceu-se uma sintonia muito natural que acabou por ditar o ritmo deste projeto.
De que forma o conceito Pele Viva traduz a identidade do Founder’s Reserve e a energia
associada a um Porto Reserva Ruby?
Entendo a identidade como uma soma de camadas, um processo de sedimentação. A Pele Viva é o resultado visual da acumulação das minhas experiências e leituras durante a imersão nos territórios de Sandeman. Cruzei-me com as histórias das caves e da quinta, com a dedicação das suas pessoas e com a riqueza gastronómica e vínica da região. Tudo isso desenhou a "pele" que agora envolve e protege a essência desta nova edição de Founder’s Reserve.
Porquê Pele Viva?
O desafio da marca passou por explorar o conceito “The essence of a fiery youth”. Para mim, a juventude é uma explosão de energia concentrada. Decidi transpor essa ideia para o ecossistema do Douro, descendo ao nível da videira para observar o coberto vegetal que a protege. Ali, existe uma "revolução silenciosa": se acelerássemos o tempo, veríamos uma paisagem frenética de movimento, com pólen a explodir, insetos em voo e a flora a expandir-se simultaneamente. À superfície, o que vemos é, precisamente, uma pele viva em constante mutação.
A obra inspira-se na biodiversidade do Douro: que elementos concretos foram incorporados na linguagem visual urbana de UIVO?
Este objeto funciona como um registo sensorial da minha visita à Quinta do Seixo. Procurei integrar a morfologia das encostas e a fluidez do vento que percorre os vales. Além disso, incorporei elementos específicos da fauna e flora locais, como o papa-figos, as papoilas, a cenoura-brava ou as joaninhas, que ajudam a construir a identidade daquele território através do meu traço.
É através da arte que uma marca com mais de dois séculos de história, como a Sandeman, pode manter-se relevante junto de novas gerações?
Acredito que a arte tem essa capacidade intrínseca de renovação, mas no caso de Sandeman, isso surge como uma consequência natural e não como um esforço isolado. A marca possui uma ligação histórica à produção artística desde a sua génese, pelo que esta colaboração é apenas a continuidade contemporânea desse legado.
Enquanto artista, de que forma esta colaboração desafiou o seu processo criativo habitual, especialmente ao trabalhar com um produto ligado à tradição como o vinho do Porto?
Pelo facto de conciliar a minha prática artística com o design gráfico e a ilustração, encaro qualquer tensão entre tradição e modernidade como matéria-prima criativa. O maior desafio foi equilibrar a herança secular de Sandeman com a liberdade total que me deram para interpretar esse universo. Conseguimos transformar o peso da história num dinamismo visual contemporâneo, onde o conhecimento da marca e a minha visão pessoal coexistem sem compromissos.
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