Durante a passada segunda-feira, 26 de janeiro, as autoridades de saúde da Índia emitiram um alerta epidemiológico depois de confirmarem um novo surto do vírus Nipah — que já resultou em pelo menos dois casos confirmados e levou à quarentena de 190 pessoas, lê-se na CNN Portugal.
Estes surtos acontecem quase anualmente "no Bangladesh e no estado indiano vizinho de Bengala Ocidental, ocasionalmente, noutros países do sul e sudeste da Ásia". Foram registados os primeiros surtos em humanos, em Bengala Ocidental, na Índia, em 2001 e 2007, resultando em pelo menos 50 mortes. Já o surto mais recente aconteceu em julho de 2015 e acabou por resultar "em duas mortes no estado de Kerala, no sul do país".
Foi identificado pela primeira vez na Malásia, em 1998, "na região que lhe deu o nome" e, apesar de não existir uma cura ou vacina, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sabe muito, mas não tudo, sobre este vírus.
O que é o vírus Nipah?
É considerado "um vírus zoonótico", ou seja transmite-se de animais para humanos, mas também pode "ser transmitido através de alimentos contaminados ou diretamente entre pessoas". De acordo com a OMS, os "morcegos frugívoros da família Pteropodidae são os hospedeiros naturais" deste vírus.
Mas, por exemplo, no primeiro surto registado, o da Malásia que afetou Singapura, em 1998, "a maioria das infeções em humanos resultou do contacto direto com porcos doentes ou seus tecidos contaminados".
Já nos surtos que afetaram, mais tarde, o Bangladesh e a Índia, "o consumo de frutas ou produtos derivados de frutas contaminados com urina ou saliva de morcegos frugívoros infetados foi a fonte mais provável de infeção".
Para além disso, a transmissão do vírus "entre humanos também foi relatada entre familiares e cuidadores de pacientes infetados". Por exemplo, em Siliguri, Índia, em 2001, a transmissão do vírus chegou a ser "relatada em um ambiente de cuidados de saúde, onde 75% dos casos ocorreram entre funcionários do hospital ou visitantes". E, aliás, entre 2001 e 2008, "cerca de metade dos casos relatados no Bangladesh" estavam associados à transmissão entre humanos "através da prestação de cuidados a pacientes infectados".
Quais os sintomas?
Geralmente, as pessoas infetadas desenvolvem, inicialmente, sintomas como "febre, dores de cabeça, mialgia (dores musculares), vómitos e dor de garganta". Também pode causar "tonturas, sonolência, alteração do estado de consciência e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda".
É ainda possível que algumas pessoas sofram de problemas como "pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo dificuldade respiratória aguda". Já "em casos graves, ocorre encefalite e convulsões, evoluindo para coma dentro de 24 a 48 horas", alerta a OMS.
Segundo a entidade, "o período de incubação varia entre 4 e 14 dias", mas já foram "relatados casos com um período de incubação de até 45 dias".
Estima-se que a taxa de mortalidade seja entre 40% e 75%, mas o número pode "variar de acordo com o surto, dependendo das capacidades locais de vigilância epidemiológica e gestão clínica".
