Histórias de pessoas que enfrentam dificuldades extremas e as ultrapassam emocionam qualquer um e a de Waris Dirie pode mesmo ser uma das mais incríveis. É, nos dias de hoje, considerada uma das supermodelos mais icónicas das décadas de 80 e 90, mas a sua história não começou da melhor maneira.
A história que começa na Somália
Waris Dirie nasceu em 1965, no deserto da Somália, muito perto da fronteira do país com a Etiópia, explica a Britannica. Faz parte de uma família de nómadas e tem 11 irmãos. Passou grande parte da sua infância a cuidar do "rebanho da família" e a lutar para conseguir "comida e água suficientes para sobreviver".
Foi submetida a uma mutilação genital forçada e, ao celebrar 13 anos, a família queria que casasse com um homem muito mais velho. Para evitar isto, acabou por fugir de casa e "embarcou numa longa e viagem" em que foi obrigada a atravessar o deserto até Mogadíscio a pé e descalça, a capital do seu país de origem.
A chegada a Londres
De lá conseguiu ir para Londres, no Reino Unido, onde trabalhou "como empregada doméstica na casa de um tio que estava a iniciar um mandato como embaixador". Quando o mandato do tio chegou ao fim, a modelo decidiu ficar na cidade ilegalmente e, eventualmente, começou a trabalhar na cozinha de um restaurante de fast-food.
Estava, na altura, a viver numa instituição gerida pela YMCA, organização sem fins lucrativos internacional, e aproveitou a oportunidade para participar em aulas para aprender a ler e escrever em inglês.
O início da carreira como modelo
Mais tarde, em 1983, uma mulher na rua abordou Dirie e perguntou se queria ser modelo. Com apenas 18 anos conheceu o fotógrafo britânico Terence Donovan e fez a sua primeira sessão. E, sim, estas fotografias acabaram por lançar a carreira da jovem.
Em 1987, apareceu na capa do icónico Calendário Pirelli e no filme de James Bond, The Living Daylights. Também começou a desfilar nas passarelas de Paris, Milão e Nova Iorque; a protagonizar campanhas publicitárias para marcas como a Revlon e a Chanel; e a aparecer nas capas de revistas como a Elle, Glamour e Vogue.
A carreira de ativista
Waris Dirie sempre falou abertamente da sua história e em 1997 acabou por ser "nomeada embaixadora especial do Fundo das Nações Unidas para a População para a eliminação da mutilação genital feminina", um papel importante que a levou a viajar pelo mundo para alertar para este problema.
Publicou, em 1998, uma biografia onde conta toda a sua história, Desert Flower: The Extraordinary Journey of a Desert Nomad. No início dos anos 2000 deixou a carreira como modelo e dedicou-se ao ativismo.
Fundou a Desert Dawn Foundation em 2001 para "angariar fundos para clínicas e escolas na Somália", assim como a Waris Dirie Foundation, em 2002, com o objetivo de apelar à "abolição da mutilação genital feminina".
Já recebeu inúmeros prémios pelos seus esforços como ativista, "incluindo o Prémio Mundial da Mulher do ex-presidente russo Mikhail Gorbachev", em 2004, e faz parte da Legião de Honra, "a mais alta ordem de França", algo concedido por Nicolas Sarkozy, ex-presidente francês, em 2007. E, sim, em 2009, a sua vida inspirou um filme, chamado Flor do Deserto.
Hoje em dia, com 61 anos, a autora, modelo e ativista, continua a falar sobre estes graves problemas e a partilhar as suas importantes histórias.
