“Raiz – Uma Paisagem que se Come!”
“Raiz – Uma Paisagem que se Come!”

Fomos descobrir um lugar especial em Cascais que viaja pela natureza... e pela mesa

Há uma nova experiência gastronómica em Cascais que te convida a mergulhar na natureza e acabar num brunch. Vais redescobrir e reconectar-te com os alimentos.

Num tempo em que esquecemos cada vez mais a origem dos alimentos que nos chegam ao prato, há projetos que procuram fazer-nos voltar a conectar com a terra.

É o caso do workshop “Raiz – Uma Paisagem que se Come!”, promovido pelo Cascais Food Lab, uma experiência multissensorial que convida os participantes a redescobrir a natureza através do paladar, do olfato e da observação atenta da paisagem. A iniciativa é concebida por Cláudia Silva Mataloto, co-autora do premiado livro Da Natureza para a Mesa, distinguido nos Gourmand World Cookbook Awards 2024, e propõe uma abordagem inovadora à gastronomia, onde a comida deixa de ser apenas consumo.

A proposta é um passeio interpretativo da flora silvestre comestível existente na Quinta do Pisão, inserida no Parque Natural Sintra-Cascais, que antecede um brunch confecionado com várias espécies silvestres.

O workshop “Raiz – Uma Paisagem que se Come!” tem uma duração de 3h e custa €65 por pessoa. Podes inscrever-te através do e-mail (info@cascaisfoodlab.pt). As datas serão anunciadas em breve. 

Antes de te inscreveres, atenta na entrevista que revela tudo o que podes viver. 

Como nasceu o conceito “Raiz – Uma Paisagem que se Come!” e o que o distingue de outras experiências gastronómicas?

A experiência multissensorial “Raiz – uma paisagem que se come” foi desenvolvida por mim no âmbito do Mestrado em Food Design, da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Enquanto projeto académico, investigou o tema da incorporação de espécies silvestres comestíveis nas dietas modernas, utilizando princípios do design de alimentos. Desta forma, foi concebida uma experiência multissensorial que permitisse a aproximação da população urbana às zonas rurais, onde a comida é usada como uma linguagem para pensar e repensar a paisagem. Foi posteriormente englobada no portfólio de Experiências do Cascais Food Lab.

De que forma o passeio interpretativo pela flora silvestre contribui para a valorização do que nos dá a natureza?

Este passeio interpretativo, muitas vezes guiado pela herbalista Fernanda Botelho, ocorre no território onde a Experiência se desenvolve e é parte essencial da mesma. Nesta ocasião, os participantes são convidados a ler a paisagem que os rodeia, através das plantas, cheiros, texturas e sons. São passados conhecimentos para identificar as espécies comestíveis, a sua utilização na cozinha e na medicina tradicional e a sua relevância culturalmente. Há uma preocupação em dar a conhecer as relações entre natureza, cultura e alimentação.

Que tipo de espécies silvestres comestíveis podem os participantes descobrir e provar durante a experiência?

A Experiência realiza-se na Quinta do Pisão, em Cascais. As espécies observadas variam consoante a época do ano (cada Experiência é diferente, ainda que realizada no mesmo local). Podemos observar até as mesmas espécies, mas estas poderão estar em períodos diferentes da sua vida (floração, frutificação). As espécies da Quinta do Pisão são comuns ao território nacional e de características atlânticas e mediterrânicas, como: urtiga, funcho silvestre, oliveira brava, murta, amora, sabugueiro, malva, cardo, borragem, etc…

Que impacto espera que esta iniciativa tenha na forma como as pessoas se relacionam com a natureza e com a alimentação no dia a dia?

O objetivo da experiência “Raiz – Uma Paisagem que se Come” é que os participantes passem a ver a comida como parte da paisagem e a paisagem como algo que nos alimenta. Ela pretende promover mudanças subtis, mas profundas no dia a dia das pessoas. Para que isso aconteça, a Experiência permite que a natureza seja “visível”, pois muitas pessoas passam pela paisagem sem a “ler”. A experiência ajuda a reparar em plantas, cheiros, ciclos sazonais e a reconhecer que a natureza não é um cenário, mas sim uma fonte direta de alimento. Também se trabalha a reaproximação da comida da sua origem, comendo algo depois de ver o seu habitat, promovendo a valorização dos produtos locais, sazonais e menos processados. A experiência permite criar uma consciência crítica sobre o que comemos: Porque comemos sempre as mesmas espécies? O que se perdeu na nossa alimentação? Que impacto têm as nossas escolhas? Levando a decisões mais conscientes, desde a escolha de produtos sazonais à redução do desperdício alimentar.

Que aprendizagens práticas os participantes podem levar consigo do workshop, tanto na cozinha como na reconexão com a natureza?

Com esta Experiência, o momento da refeição ganha um significado emocional e contextual. Reconhecemos ingredientes ou ideias do percurso nos pratos e a comida deixa de ser abstrata, para passar a ser a memória do lugar. Além do conhecimento que é passado aos participantes, já referido na questão anterior, aprende-se a valorizar o conhecimento tradicional das plantas, algumas utilizadas em nosso benefício há séculos, o que leva a um maior respeito pelas tradições e incentiva a curiosidade por aprender com gerações mais velhas ou produtores. A ligação emocional que a Experiência permite gera uma ligação afetiva ao lugar e uma memória sensorial através dos sentidos que são utilizados e ativados. E, quando há uma ligação emocional, há uma maior tendência para cuidar, proteger e respeitar. 

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