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Fui perceber se este smartwatch me transformava numa pessoa mais fit e rendi-me ao modo paixão

Há produtos que prometem mudar a nossa vida. E depois há aqueles que, felizmente, se limitam a dizer-nos a verdade sobre ela. Foi mais ou menos assim que começou a nossa experiência com o Xiaomi Watch S5.

A ideia era simples: experimentar, perceber o que este smartwatch consegue fazer e, sobretudo, descobrir se ter um pequeno dispositivo preso ao pulso é suficiente para me transformar numa daquelas pessoas que acordam às 6h30 para correr 10 km antes do trabalho.

Spoiler: não aconteceu.

Continuamos a achar que correr voluntariamente é uma decisão que merece ser analisada por profissionais... ou pode ser apenas inveja de quem diz que gosta de treinar. Mas é isso que também torna o relógio interessante: não tenta propriamente convencer-nos de que somos atletas. Dá-nos informação suficiente para percebermos o que estamos — ou não estamos — a fazer com o nosso corpo.

E isso, para quem repela ginásios, já é qualquer coisa.

Vamos começar pelo óbvio: é bonito

O Xiaomi Watch S5 46 mm não tem propriamente aquele ar de gadget que só faz sentido quando estamos de fato de treino. E, sim, estilo é algo que a VERSA compreende. Com uma caixa de 46 mm, corpo em aço inoxidável e apenas 46 g, consegue ser suficientemente discreto para o dia a dia e, ao mesmo tempo, ter presença no pulso.

O ecrã AMOLED de 1,48 polegadas ajuda. Tem molduras 40% mais finas e chega aos 2500 nits de brilho, o que, traduzindo para linguagem de quem não passa a vida a decorar especificações... significa que conseguimos ver o que está no ecrã mesmo quando o sol decide não colaborar.

Também há diferentes opções de braceletes e lunetas, incluindo acabamentos em pele, cerâmica e carbono forjado. Ou seja: podemos levá-lo para o ginásio, para uma reunião ou para aquele jantar em que queremos fingir que somos pessoas organizadas e por isso temos um belo smartwatch no pulso.

O fitness: aqui começa a parte complicada

O Watch S5 tem mais de 150 modos de treino. Cento e cinquenta, repito, para que não haja dúvidas.

Também demorei algum tempo a perceber que existem mais mais modos de treino do que aqueles que consigo nomear sem pesquisar no Google.

Há monitorização da frequência cardíaca, acompanhamento de atividades ao ar livre através de GNSS dual-band e cinco sistemas de posicionamento, métricas de desempenho e uma série de dados pensados para quem leva o treino a sério (ou está a começar a gostar de acompanhar as palpitações).

E depois há quem tenha de admitir que a sua principal atividade física continua a ser andar depressa quando percebe que está atrasado.

Neste caso, o relógio não fez milagres. Não acordei de repente com vontade de fazer burpees, nem desenvolvi uma relação emocional com uma bicicleta.

Mas há uma diferença entre dar vontade de treinar e dar informação que nos pode fazer repensar os nossos hábitos. No fundo, o Watch S5 tornou-se o meu coach motivacional.

Ao acompanhar frequência cardíaca, calorias, atividade e evolução ao longo do tempo, começa a ser difícil manter aquela confortável ilusão de que “até me mexo bastante”. Os dados têm essa desagradável tendência para estragar narrativas. E, sim, estragou a minha.

Por isso, nesse sentido, o relógio pode servir de pequeno incentivo. Não porque nos grite “VAI TREINAR!”, mas porque nos mostra, de forma bastante objetiva, o que (não) andamos a fazer.

E depois há o sono. Ou a falta dele.

Se há uma área em que um smartwatch destes pode ser particularmente útil para quem não é propriamente fanático do fitness, é o sono.

O Xiaomi Watch S5 acompanha os padrões de descanso e apresenta relatórios semanais e mensais, incluindo dados sobre a variabilidade da frequência cardíaca (HRV) durante o sono.

É uma daquelas funcionalidades que começa por parecer curiosidade e rapidamente se transforma numa espécie de auditoria pessoal.

Dormi oito horas? Ótimo.

Dormi cinco? O relógio sabe.

Passámos a noite a dormir como se tivéssemos sido atropelados por um camião emocional? Também há dados para isso.

A ideia aqui não é substituir uma avaliação médica (nem o relógio pretende fazê-lo),mas ajudar a perceber padrões. E isso é provavelmente mais interessante do que olhar para uma única noite e decidir que somos oficialmente um desastre.

Os relatórios semanais e mensais ajudam precisamente nessa leitura a médio prazo: em vez de nos preocuparmos apenas com “quantas horas dormi ontem?”, conseguimos perceber tendências.

E, para quem acha que saúde é apenas contar passos e calorias, é uma boa lembrança de que dormir também conta (e muito).

Entrar em "modo paixão": o melhor dos lembretes

E é aqui que a Xiaomi decidiu lembrar-nos de que nem toda a atividade física acontece num ginásio.

O Modo Passion consegue detetar gestos de celebração e transformá-los em dados mensuráveis, como frequência cardíaca, calorias gastas e número de comemorações.

É uma funcionalidade divertida, mas também revela uma tendência interessante destes equipamentos: medir cada vez mais aquilo que fazemos no quotidiano, e não apenas os momentos em que declaramos oficialmente que estamos a praticar exercício.

Porque, sejamos honestos, nem sempre estamos a treinar. Às vezes, estamos apenas felizes.

E, aparentemente, isso também pode ser contabilizado.

A bateria é provavelmente uma das melhores notícias

Até 21 dias de autonomia em utilização moderada é daqueles números que aceleram o coração no melhor dos sentidos. Deste lado, perdemos a conta de vezes que saímos de casa com baterias no limite. 

Um smartwatch pode ter todas as funcionalidades do mundo, mas se tivermos de o carregar constantemente, depressa passa de companheiro de pulso a mais um dispositivo na gaveta.

Aqui, a bateria de 815 mAh permite uma utilização prolongada sem aquela sensação de que estamos sempre à procura do carregador.

Naturalmente, os 21 dias dependem da utilização — GPS, monitorização contínua e outras funções mais exigentes vão consumir mais bateria. Mas a autonomia é real e foi uma das características de que mais gostei, até porque prefiro a ideia de um um relógio que me acompanha na vida... e não apenas na sessão de treino que nunca desejo.

E no dia a dia?

É provavelmente aqui que o Watch S5 ganha mais pontos para quem, como nós, não acorda a pensar na próxima corrida.

Pode mostrar notificações, ajudar a localizar o smartphone, controlar os auscultadores, tirar fotografias remotamente e sincronizar automaticamente dados de saúde e de desporto.

A integração com o ecossistema Xiaomi também permite controlar equipamentos através do Xiaomi Home.

Ou seja, ele é “smart” mesmo quando saímos do ginásio. Até é provavelmente onde acabamos por tirar mais partido dele.

E há algo bastante conveniente em ter no pulso informação que, de outra forma, obrigaria a tirar o telemóvel do bolso.

Então, vale a pena?

Depende muito do tipo de pessoa que somos.

Se estão à procura de um smartwatch que te transforme numa máquina de treino, temos más notícias: ainda não inventaram esse modelo. O Xiaomi Watch S5 pode monitorizar mais de 150 atividades, acompanhar a frequência cardíaca, analisar o sono e mostrar-vos uma quantidade respeitável de dados, mas a decisão de sair do sofá continua a ser exclusivamente nossa.

Para quem já treina regularmente, a quantidade de métricas e modos desportivos é certamente interessante.

Para quem não treina assim tanto, posso assegurar que surpreende. Não porque o relógio me tenha tornado numa atleta, mas porque me tornou mais consciente... logo, mais motivada.

Quantos passos damos? Como estamos a dormir? Qual é a nossa frequência cardíaca? Estamos realmente tão ativos como imaginamos? No caso de quem vos escreve, percebi que preciso de me levantar mais vezes desta cadeira.

São perguntas simples. E ter as respostas ali, no pulso, pode ser suficiente para começarmos a fazer algumas contas.

No nosso caso, o Xiaomi Watch S5 amenizou o ódio ao fitness. Não houve uma transformação cinematográfica, música épica ou corrida ao nascer do sol... foi uma promessa real e cumprida.

No final, ficámos com um relógio elegante, com bastante autonomia, um conjunto muito completo de ferramentas de saúde e de fitness e, sobretudo, uma quantidade considerável de informação sobre aquilo que fazemos todos os dias.

E talvez seja essa a verdadeira utilidade de um smartwatch: não nos dizer quem devemos ser, mas mostrar-nos, com algum detalhe e zero diplomacia, quem somos.

Até quando preferíamos não saber.

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