Comprar casa em Portugal continua a ser, para muitos, um verdadeiro desafio. Entre salários que nem sempre acompanham o custo de vida, juros ainda elevados e uma oferta habitacional limitada, o acesso à habitação tornou-se um dos temas centrais da atualidade, em especial na vida de muitos jovens. Em 2025, esta dificuldade ficou bem patente: os preços atingiram novos máximos históricos.
Segundo o índice de preços do idealista, os preços das casas em Portugal subiram 6,8% em termos anuais, fixando o valor mediano de compra em €3.019 por metro quadrado, o mais alto de sempre.
Lisboa manteve-se como a cidade mais cara do país, com €5.995/m², seguida do Porto e do Funchal. Mas o dado mais relevante foi talvez a dispersão das subidas: cidades tradicionalmente mais acessíveis como Santarém, Beja e Setúbal lideraram as valorizações anuais, algumas acima dos 20%. Isto mostra que a pressão nos preços já não se limita aos grandes centros urbanos.
A nível regional, os Açores e a Madeira destacaram-se com subidas expressivas, enquanto o Norte apresentou uma evolução praticamente estável, sendo isto um sinal de uma possível maturação em alguns mercados.
Mas afinal, o que podemos esperar de 2026 para a compra de casa? O histórico recente e as novas medidas governamentais dão pistas importantes.
2026: menos impostos, mais rendimento disponível
Em 2026 entram em vigor várias medidas do Governo com impacto direto e indireto na capacidade de comprar casa. Uma das mais relevantes é a nova descida do IRS, com uma redução de 0,3% entre o 2.º e o 5.º escalão e a atualização dos escalões em 3,5%, acima da inflação. O mínimo de existência também é reforçado, garantindo que quem recebe o Salário Mínimo Nacional continua isento de IRS.
Na prática, isto traduz-se em mais rendimento disponível ao final do mês, algo crucial para quem tenta poupar para a entrada de uma casa ou suportar uma prestação bancária.
Do lado das empresas, é de notar a descida do IRC para 19%, medida que procura estimular o investimento e a criação de emprego. E, com um mercado de trabalho estável, as famílias ficam mais confiantes no momento de avançar para a compra de habitação.
A grande questão é se estas medidas serão suficientes para travar a escalada dos preços.
A experiência de 2025 sugere cautela. Mais rendimento pode significar maior procura, sobretudo nas zonas onde os preços ainda são relativamente mais baixos, e, sem um aumento significativo da oferta de habitação, este efeito pode continuar a pressionar os valores de venda.
Por outro lado, o abrandamento das subidas em cidades como Lisboa e Porto em 2025 pode indicar que alguns mercados estão a aproximar-se de um teto, abrindo espaço para uma valorização mais moderada em 2026 (embora não para descidas generalizadas).
Assim, para quem pensa comprar casa em 2026, o cenário será provavelmente de preços a manterem-se elevados, mas com ritmos de crescimento potencialmente mais desiguais entre regiões. Zonas fora dos grandes centros urbanos, onde os preços ainda estão abaixo da média nacional, podem continuar a atrair compradores atentos.
