Este homem de 90 anos viu a aldeia mudar, depois de mais uma década a trabalhar nas minas
-
Rafaela Simões
- Há 1h e 34min
Uma vida dedicada ao trabalho e a acompanhar as mudanças no campo e na aldeia onde nasceu: contamos a história de Prudencio Martínez, espanhol com 90 anos.
Uma visita guiada a Cuenca, em Espanha
Castelos, aldeias, cascatas e lagoas portuguesas que tens de visitar e conhecer
Nascido a 28 de abril de 1936, em Yémeda, um pequeno município da província espanhola de Cuenca, Prudencio Martínez assistiu a mudanças profundas ao longo dos anos. Mas vamos recuar ao início da história contada pelo homem de 90 anos ao canal de YouTube Vive tu pueblo.
Ao recordar a juventude, Prudencio não esconde as exigências da vida naquela época. Trabalhou durante vários anos na agricultura, ao lado do pai, numa altura em que as tarefas do campo dependiam sobretudo da força dos trabalhadores. Entre a horta e o cultivo de pequenas parcelas agrícolas, conhecidas como quiñones, passava os dias a trabalhar a terra manualmente.
"Era uma vida dura, dura", recorda, embora faça questão de acrescentar que "estava-se bem".
E melhor ainda ficou quando o trabalho no campo viu uma evolução. "Até que vieram as coisas dos tratores e das máquinas", poupando-o nas tarefas que, até então, exigiam um enorme esforço físico.
Mas a agricultura não foi a única atividade a ocupar a sua vida profissional. Prudencio também trabalhou numa central da região, participou em obras de movimentação de terras e passou cerca de 15 anos a operar máquinas nas minas de caulino, onde chegou a trabalhar com um dos irmãos.
Apesar de ter vivido aproximadamente cinco anos em Motilla del Palancar, acabou por regressar à terra natal, Yémeda, onde vive até hoje.
Uma aldeia que perdeu habitantes e serviços
Situada junto ao rio Guadazaón, a aldeia de Yémeda conserva a arquitetura tradicional, a igreja e os terrenos agrícolas que marcaram a vida dos seus habitantes. Contudo, a perda de população trouxe consigo o desaparecimento de serviços essenciais.
A escola, por exemplo, deixou de funcionar, obrigando os alunos a deslocarem-se para Carboneras de Guadazaón. Também o serviço ferroviário da estação de Yémeda-Cardenete deixou de fazer parte do quotidiano da população.
Para Prudencio, as acessibilidades são fundamentais para contrariar o isolamento e permitir que localidades como a sua continuem a ter futuro. Nesse sentido, considera essenciais as "boas estradas e boas comunicações".
Outra das suas preocupações está relacionada com o antigo balneário de Yémeda, conhecido pelas águas sulfurosas (tipo de água mineral natural rica em compostos de enxofre), que chegaram a ser distinguidas na Exposição de Paris de 1878. O espaço tinha um projeto de recuperação que previa quartos, piscinas e uma zona de spa, mas a iniciativa acabou por ficar suspensa devido a problemas administrativos.
Na opinião de Prudencio, a recuperação do empreendimento poderia ter trazido mais desenvolvimento à localidade. "A aldeia teria crescido muito mais", considera, acrescentando que o projeto "ficou a meio".
Hoje, a aldeia conta com apenas 18 habitantes registados, sendo Prudencio um deles.
Depois de nove décadas de vida, entre o trabalho agrícola, as minas e as mudanças que alteraram a paisagem rural espanhola, continua a olhar para Yémeda com orgulho. "A aldeia está muito bem. Sim, senhor", afirma.
RELACIONADOS
"Não dou mais estrelas porque não dá". Só pagas 10 euros para comer num dos tascos mais emblemáticos do país
-
Margarida Ribeiro
- Ontem às 20:08
