"Faturamos entre 50 e 60 euros por dia": Álvaro tem três folgas por ano e luta todos os dias por um negócio em risco
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Rafaela Simões
- Hoje às 09:01
A compra de um jornal deixou de ser um hábito comum como era antes. Por isso mesmo, Álvaro resiste e luta pelo negócio que tem há mais de 20 anos.
Conhece Logroño, a cidade espanhola onde fica o quiosque de Álvaro
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Há negócios que continuam a resistir à passagem do tempo, como é o caso dos quiosques. Muitos jornais hoje em dia são comprados em grandes superfícies ou adquiridos online, mas, ainda se veem por ai alguns quiosques de jornais e um deles pertence a Álvaro.
Com 49 anos, Álvaro López está há 24 anos à frente de um pequeno estabelecimento na Avenida de Colón, em Logroño, Espanha, sinalizado no Google Maps como Kiosco Alvaro López Eguiluz.
A profissão que exige dedicação diária e, financeiramente, está longe de proporcionar grandes rendimentos. Em declarações à COPE Rioja, Álvaro revelou alguns detalhes da sua rotina e, sobretudo, quanto consegue faturar com o negócio.
"Levanto-me às 6h durante a semana", conta. O objetivo é ter tudo preparado para abrir às 7h, altura em que já há clientes à espera. O horário prolonga-se até às 14h15, numa rotina particularmente exigente. O próprio reconhece que o descanso é praticamente inexistente: "Oficialmente, só tenho três dias de folga por ano. Nem sábados, nem domingos, nem feriados nacionais, nada".
Mas, afinal, quanto ganha Álvaro com o quiosque?
Segundo Álvaro, o estabelecimento consegue uma faturação diária entre €50 e €60. Um valor que não deve ser confundido com lucro ou salário, uma vez que ainda é necessário considerar os custos associados à atividade, como os €160 por semestre que paga pela ocupação do espaço público.
E o que lucra hoje nada tem que ver com antigamente devido ao aumento dos preços dos jornais. Se há cerca de duas décadas um exemplar custava aproximadamente €1, atualmente o preço médio ronda os €2.
Apesar das dificuldades económicas, há algo que compensa: a relação de proximidade com quem passa diariamente pelo quiosque.
O público é composto sobretudo por pessoas com mais de 50 ou 55 anos, muitas delas reformadas, que continuam a preferir o contacto com a imprensa em papel. Miguel, um dos clientes habituais, diz que não só prefere o papel, como os dois dedos de conversa que troca com Álvaro. "Aqui há mais comunicação, não tem nada a ver".
Ao longo de quase um quarto de século, Álvaro habituou-se a ouvir histórias, preocupações e episódios da vida dos clientes. É como... um psicólogo. "Contam-te metade da vida, falam do filho, da mulher, do primo, do que quer que seja. Fazes mais de psicólogo, de amigo e de vendedor", confessa.
Mais do que um negócio com uma faturação diária modesta, o quiosque de Álvaro é um ponto de encontro que resiste à mudança dos tempos e que mostra como, por vezes, manter uma tradição pode ser tão difícil como fazê-la nascer.
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