"Picasso/Chanel" a exposição
Design e Artes

Picasso influencia Chanel. E vice-VERSA

As influências recíprocas em exposição no Thyssen-Bornemisza, em Madrid.

E volto a falar de encontros. Este entre duas figuras que há muito me dizem muito. Pablo Picasso é o meu pintor de eleição, Gabrielle Chanel, até hoje, a minha inspiração no território da moda. Por estas razões – são só dois gigantes do século XX – e por todas as que não cabem aqui, o Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, entrou diretamente na minha agenda para os próximos tempos.

Curiosamente, nunca tinha pensado nas influências recíprocas e na forma como as suas artes se podem contagiar. E contagiam. Quando se assinala os 50 anos da morte do pintor, a exposição “Picasso/Chanel” mostra cerca de 50 peças assinadas pela criadora de moda francesa que se cruzam com pinturas e desenhos do pintor nascido em Málaga em 1881, evidenciando as suas semelhanças. “Nas salas sucedem-se diálogos estimulantes entre as obras vanguardistas de Pablo Picasso e as criações inovadoras de Chanel", explicou a curadora da exposição, Paula Luengo, na inauguração.

"Para além de um tempo ou lugar, Picasso e Chanel partilharam a mesma visão estética e conceptual", diz Paula Luengo.

Pablo Picasso e Gabrielle Chanel cruzaram-se profissionalmente apenas em duas ocasiões, e ambas graças a Jean Cocteau. Na peça Antígona (1922), com máscaras de Picasso e figurinos de Chanel; e no ballet russo de Serguéi Diághilev, Le Train Bleu (1924), com uma pintura de Picasso a tornar-se a imagem para a cortina do palco e os figurinos inspirados em modelos desportivos criados por Chanel. Pablo e Gabrielle conheceram-se na primavera de 1917, acredita-se que através do próprio poeta e dramaturgo, e ficou uma amizade durante anos, com Chanel a frequentar a casa de Picasso que, por sua vez, a introduziu no mundo artístico e intelectual de Paris à época.

"Foram os artistas que me ensinaram o rigor", referiu Chanel.

Até janeiro, é possível ver como a pintura vanguardista de Pablo Picasso dialoga com a forma sóbria e intemporal de Coco Chanel. Seguindo uma ordem cronológica, correndo os anos de 1910 a 1930, há um primeiro momento com quadros e criações de alta-costura, mostrando a influência de Picasso na Casa Chanel. Em destaque está um casaco desenhado entre 1918 e 1919 que parece inspirar-se nos tons preto e castanho e nas linhas do quadro cubista "Tête d'homme" (1913). E, mais à frente, o tecido de outra peça datada de 1928, parece ter um reflexo das asas da pomba inspirado no "Naturaleza muerta con paloma" (1919). Da pintura sai a linguagem formal geométrica, a redução cromática ou a poética cubista da colagem, traduzidas por Chanel em fatos de linhas retas e angulares, nas cores brancas, pretas e beges e no uso de tecidos humildes com texturas austeras.

A partir do momento que Olga Khokhlova entra na vida de Picasso – que tantas vezes pintou a sua musa –, há uma mudança nas influências. A bailarina russa (primeira esposa do pintor) era cliente da Chanel e surge o que é referido como o “confronto das linhas retas de Chanel”. Já na obra de Picasso, sente-se que tenta recriar Chanel, num “diálogo criador-criador”, como explicou numa conferência de imprensa o diretor artístico do Thyssen, Guillermo Solana.

Para mim, é o melhor de dois mundos. Ver como Picasso influenciou Chanel. E vive-VERSA.

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