Ritz Four Seasons Hotel, Lisboa
Evasão

Nunca dormi no Ritz. Até hoje…

Uma cama king size só para mim, aquele roupão branco confortável e room service. Era um sonho e está concretizado. Desculpem, mas, sim, este é um texto cheio de clichés.

É verdade, não há como esconder e o melhor é começar o texto logo por assumir: tenho uma paixão (e antiga) pelo Ritz Four Seasons Hotel, de Lisboa. Podia ser groupie de tudo e de todos, mas sou só do Ritz. E dou por mim a aceitar qualquer convite que envolva uma festa, um pequeno-almoço, um simples café… no Ritz. Só ainda não tinha dormido no Ritz. Desconfio que até escolhi a minha casa atual, por estar a poucos metros do Ritz. E, ao preço que andam as rendas em Lisboa, tenho pensado (é só uma questão de fazer bem as contas) se não compensará viver antes num quarto…do Ritz.

É final de tarde, saio de casa e atravesso literalmente a estrada para fazer o check-in pela primeira vez. Seria desonesto da minha parte, se não dissesse que já dormi noutros Four Seasons do mundo (o último, no Cairo, absolutamente maravilhoso), mas há neste uma nostalgia de uma Lisboa quintessencial que sempre me fascinou e que não passa de moda. Pelo contrário. Renova-se, tal como o hotel se renovou nos últimos tempos, dos quartos à piscina exterior aquecida nova, mas que parece ter estado sempre ali.

Sabem aqueles amores que não se explicam? Mas vou tentar explicar: cresci a admirar a arquitetura deste que é um dos edifícios mais emblemáticos do Portugal dos anos 50 e para mim um dos mais bonitos da cidade; sente-se a reminiscência de uma época em que os negócios se faziam de relações pessoais e se fechavam à mesa, entre um copo e um aperto de mão (eu própria já cheguei a ser contratada numa dessas reuniões no bar do hotel) e que continuam a acontecer de forma tão natural, numa realidade que quase parece paralela à do mundo que já vive na Web3.0; os arranjos de flores diria que só encontram rival no Four Seasons Hotel George V, em Paris; e dormir num espaço com mais de 60 obras do período modernista– há Almada Negreiros, Querubim Lapa, Pedro Leitão, Sarah Afonso e Lagoa Henrique, é quase como uma noite no museu, só que em bom. Em muito bom. E depois há o melhor pequeno almoço de Lisboa; a simpatia de quem veste com orgulho fatos elegantes e sempre bem engomados; o Cura, onde o Chef de Estrela Michelin Pedro Pena Bastos cria pratos artesanais de profundidade, gosto e significado. E podia continuar a elencar o que me faz gostar do Ritz ou apenas dizer, como costumo dizer, que é tudo o que não cabe aqui. As paixões têm qualquer coisa de intangível, e a minha pelo Ritz é assim…

O quarto com varanda privada e vista desafogada para Lisboa, mais concretamente para o Parque Eduardo VII, é tudo aquilo que imaginei. Se me permitem de uma intemporalidade cool, intimista, com caráter, confortável, tudo alinhado com as minhas expectativas que, a propósito, eram muito altas. A renovação dos quartos foi feita pelo atelier de arquitetura oitoemponto, o meu mantém a estética original dos anos 50, com o conforto do século XXI, neste luxo intemporal há cadeiras em veludo, mas há também uma coluna Marshall junto a uma das cabeceiras.

Já que estava a concretizar um sonho antigo, quis que fosse cheio de clichés. À chegada, atiro-me como nos filmes para a cama (como estava sozinha, não registei o momento 'à la' TikTok); percorro o quarto de uma ponta à outra, abro gavetas, armários, tudo com a missão de memorizar a experiência durante os próximos anos (VOU DORMIR FINALMENTE NO RITZ!) ; no minibar, domina o uísque, com diferentes marcas à escolha; a porcelana para o café é portuguesa e da coleção Art-Déco; na casa de banho linda, em mármore, repito várias vezes para mim própria “Vanda Jorge, calma que desta vez fica mal pôr os amenities na mala”; visto o roupão branco 100% algodão que para mim mais parecia pura caxemira; e, antes de dormir, faço o pedido de pequeno almoço servido no quarto, porque nesta experiência valiam todos os clichés.

Adoro hotéis. E, sim, se forem de luxo, tanto melhor. Como sabemos, depois de um check-in, há sempre um check-out. E, no meu caso, foi só atravessar a rua e voltar à minha vida. E penso, às vezes não é preciso viajar até ao outro lado do mundo, para concretizar um sonho antigo.

(O texto contínua amanhã com o Restaurante Cura, do Ritz Four Seasons Hotel, de Lisboa)

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