Joana Fartaria - Fotografia: Ruy Coelho
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Numa aula de ioga a nu, todos os corpos são bem-vindos

O ioga nu, ou ao natural, existe e não é sobre mostrar, é sobre sentir. Fomos conhecer melhor esta prática e perceber o que se sente por lá. Curiosos?

As regras são muito simples. “As pessoas chegam, tiram a roupa, fazem a aula, e só”, explica Joana Fartaria, a única instrutora de ioga a nu em Portugal. Tal como o nome indica, esta é uma aula de ioga normal, mas sem roupa. Não há nenhum mistério. A sua única particularidade é que é algo inédito em Portugal, mas está aberta a todos os que a queiram experimentar.

“Para algumas pessoas, estar sem roupa é um espaço de liberdade que não têm no dia a dia. Há muitas pessoas que se identificam com o naturismo e que procuram estas aulas porque lhes faz todo o sentido”, explica Joana.

“Para algumas pessoas, estar sem roupa é um espaço de liberdade que não têm no dia a dia"

Em Portugal, não há muitos espaços para um naturista se expressar, a não ser no verão no Meco ou nos parques de campismo naturistas, por exemplo. Não há atividades em naturismo, ginásios ou espaços de bem-estar onde as pessoas possam estar nuas. Mas, se houvesse, para Joana “seria maravilhoso, porque há muitas pessoas que têm esta necessidade, é um espaço de liberdade para alguns”.

E isto leva-nos de volta à aula. Joana recebe os alunos de roupão para se perceber que não tem nada por baixo, que não há roupa de ioga, e isso motiva quem ainda tem algum receio de ficar despido. Porque, afinal, se até a instrutora vai estar nua é porque todos vão estar.

Depois, os alunos são convidados a tirar a roupa até se sentirem confortáveis. “Se alguém chegar lá e não conseguir, não faz mal, ninguém é obrigado a ficar nu. Mas se alguém me perguntar à priori, antes de vir, se pode ficar vestido durante a aula, digo logo que não”, explica.

“É muito comum haver uma objetificação da nudez, uma sexualização da nudez e nudez não é sexual. O que nós procuramos nesta aula de ioga não é uma nudez sexualizada, pelo contrário, é uma nudez natural”, acrescenta Joana.

Aqui não interessa se tens um corpo mais tonificado, com mais ou menos formas, porque as posições do ioga vão transformá-lo naquele momento e nem sempre vai ficar bonito. Joana até costuma brincar dizendo que “Não há uma forma perfeita para o ioga a nu, a forma humana é perfeitamente aceitável”. E a verdade é que também ninguém vai estar a olhar porque a ideia é cada um estar centrado em si.

“Não há uma forma perfeita para o ioga a nu, a forma humana é perfeitamente aceitável”

Todos sabemos que muitas pessoas têm dificuldade em aceitar o seu próprio corpo, que não estão felizes com ele, seja por que motivo for, mas “no ioga a nu encontraram esse acolhimento não só do corpo deles como dos outros, porque percebem que todos os corpos são perfeitamente imperfeitos”, conta a instrutora. “É um espaço de liberdade, um espaço onde podem ultrapassar os seus próprios medos em relação ao seu corpo, em relação a estar exposto”.

No entanto, é inegável que “há pessoas que têm prazer no exibicionismo do nu e também está tudo certo. Quem sou eu para julgar?”, diz Joana. Assim como também há pessoas que se sentem empoderadas por estarem nuas, por exemplo, sentem-se mais fortes, mais notadas. Outras, pelo contrário, sentem-se mais frágeis, sentem-se mais inseguras. “Mas ambos os processos podem ser interessantes no ioga, porque ioga é um trabalho de desenvolvimento pessoal e de desenvolvimento interno, sempre”, explica.

Na aula de ioga nu, não há qualquer tipo de toque, nem mesmo da instrutora se for necessário acertar/melhorar alguma posição. Não há níveis para iniciados ou avançados, nem turmas específicas de mulheres ou de homens, é um espaço para todos. Porque “nus somos todos iguais. Não há comparações, não é possível.”, explica Joana.

Se ficaste com vontade de experimentar, fica com estas informações: a cada quinze dias, ao sábado, pelas 10h, na Chic Studios, na Parede, Cascais.

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