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Blenda, as carteiras de luxo orgulhosamente portuguesas

Tatiana Figueiredo sempre gostou de carteiras e sentiu necessidade de criar algo que fosse ao encontro dos seus valores. O resultado é a Blenda, uma marca de luxo sustentável. A VERSA conversou, em exclusivo, com a sua fundadora.

A sustentabilidade não é mais uma opção, é um dever. É hora de cuidarmos desta nossa casa partilhada e a moda tem um papel fundamental já que é uma das indústrias mais poluentes do mundo. Mas é possível gostar de moda e ser-se responsável e consciente, Tatiana Figueiredo sabe disso e trata a Natureza, uma paixão de sempre, com muito respeito. Quando pensou em criar uma marca de carteiras só podia fazê-lo de mãos dadas com a sustentabilidade. E assim nasceu a Blenda, uma marca de carteiras de luxo, orgulhosamente portuguesa, com uma grande responsabilidade para com o ambiente.

Foram meses de pesquisa, preparação e testes para que a marca nascesse. Todos os detalhes foram cuidadosamente pensados e trabalhados pela mão de artesãos, resultando em carteiras de qualidade superior, confecionadas em pele vegan e com uma qualidade premium. A durabilidade e a preocupação com o desperdício estiveram na base de todo este processo, de forma a reduzir o impacto ambiental que cada carteira tem no nosso planeta.

Luísa é o nome do primeiro design já lançado. Trata-se de uma carteira que pode ser utilizada como mochila ou tote bag, dando uma maior versatilidade à peça e respondendo também às necessidades das mulheres que olham para as carteiras como um suporte para os seus dias atarefados.

A VERSA falou com a fundadora da Blenda, Tatiana Figueiredo, sobre o processo de criação, a importância dos artesãos na confeção das suas carteiras, e as inspirações por detrás destas peças.

A Natureza sempre foi uma paixão “desde que tem memória”. Qual é a primeira memória que tem dessa relação com a Natureza?

A minha paixão pela Natureza começou muito cedo, com a relação com animais. Sempre gostei muito de animais e fazia de tudo para ter proximidade com eles - desde visitar amigos com animais domésticos a passar muito tempo das minhas férias a visitar uma quinta perto da casa dos meus avós. Lembro-me de uma notícia em criança que me chocou: quando foi encontrado um golfinho morto com problemas que referiam terem sido causados pela poluição das águas. Nessa altura vivia em Macau, que era uma cidade muito suja, mas que começou com intensivas campanhas de educação ambiental que tiveram um forte impacto na minha maneira de ver o mundo.

Dessa relação nasceu um desejo: criar um mundo melhor. Como está a ser essa jornada?

Para melhor mantermos o nosso planeta, é preciso uma constante aprendizagem. Muitas vezes poluímos sem ter noção de que estamos a poluir. Umas vezes tomamos opções a pensar que estamos a poupar o ambiente, por um lado, e não percebemos que o estamos a prejudicar de uma outra maneira. Existem princípios básicos para reduzir o impacto negativo ambiental como os 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), no entanto uma constante aprendizagem é necessária para garantir que fazemos o melhor que podemos. E temos, também, a obrigação de partilhar o conhecimento que vamos adquirindo.

"Antes sequer de começar a desenhar modelos, foquei-me nos valores da Blenda e no objetivo do seu papel na sociedade."

Como é que nasceu o desejo de criar uma marca de carteiras sustentável?

A Blenda nasce de uma forte vontade de criar carteiras (que são uma grande paixão) e de trabalhar em algo que fosse ao encontro dos meus valores. Sou uma pessoa que gosta de criar. Um dia pensei em desenhar uma carteira para o meu uso pessoal, mas rapidamente ganhei interesse em fazer algo comercializável. Antes sequer de começar a desenhar modelos, foquei-me nos valores da Blenda e no objetivo do seu papel na sociedade, que considerei o mais importante neste projeto. Assim foi logo inicialmente definido que a Blenda seria fabricada em Portugal, não utilizaria materiais de origem animal e os seus modelos seriam o mais versáteis possível para um tempo de vida prolongado.

O que nos pode contar sobre o processo criativo da Blenda?

Se nos compararmos com a sociedade de há 40 anos, consumimos demasiados artigos, seja pela sua baixa qualidade ou pela diversidade devido à necessidade de acessórios para diferentes situações de uma vida agitada. É por este motivo que me foco em dar às carteiras Blenda características versáteis e produzi-las com qualidade. É importante que a sociedade desacelere o consumo da moda, procurando artigos que se encaixem na vida de cada um para um uso mais prolongado.

Aprecio carteiras de luxo, tenho especial admiração por modelos clássicos que foram desenhados há dezenas de anos e ainda são utilizados. Procuro criar modelos simples e elegantes na esperança de que também se tornem intemporais. A estética das carteiras surge sempre depois de definida a sua funcionalidade, de forma a garantir o foco na mesma.

A indústria da Moda é uma das mais poluentes do mundo, evitar o desperdício e utilizar recursos sustentáveis são duas premissas da Blenda. O que mais nos pode contar sobre o processo de pesquisa?

Na criação das carteiras foram feitas várias pesquisas e testes a materiais. O material utilizado é o de maior durabilidade, em termos de resistência e aspeto exterior, encontrado. Sabendo que a reciclagem dos tecidos sintéticos está ainda em fase muito prematura, foi tomada a decisão de tornar a carteiras sustentáveis pelo prolongamento do seu tempo de vida útil, primando pela qualidade, minimalismo e versatilidade. Considerando os desperdícios na produção, e de forma a minimizá-los, as peças das carteiras Blenda são cortadas a laser, aumentando o aproveitamento da área dos materiais.

As carteiras e acessórios Blenda nascem das mãos de artesões – uma arte que precisa de ser preservada. Qual é a importância que estes trabalhadores têm no processo?

Portugal tem tradição do trabalho em pele e tive a sorte de trabalhar com pessoas que prezam a qualidade do que produzem. Obtive muito apoio a finalizar alguns pormenores nos modelos de forma a garantir durabilidade e qualidade. Os artesãos são quem dá vida à carteiras, montando as várias peças e costurando-as.

Cada carteira que a Blenda lançar terá um nome de uma mulher inspiradora. A primeira chama-se Luísa. O que nos pode contar sobre a Luísa? E sobre as próximas?

Vivi grande parte da minha vida em Moçambique, e cresci a admirar uma grande mulher que via em posições que, na altura, eram quase exclusivas a homens. A Luísa Diogo é uma economista que foi Primeira Ministra e Ministra do Plano e Finanças de Moçambique, é uma mulher que ainda hoje tem destaque profissional na sociedade, mesmo depois de sair dos cargos políticos que ocupou.

Não posso ainda partilhar o nome da próxima carteira, mas todas vão receber o nome de mulheres inspiradoras e de referência que foram abrindo o vasto caminho a percorrer para a igualdade.

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