Hugo Madeira
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Hugo Madeira: "A minha felicidade é diretamente proporcional à de um paciente"

Hugo Madeira, médico dentista e cirurgião oral, dedica a sua vida a esculpir e a devolver sorrisos a todos aqueles que um dia o perderam. Numa entrevista exclusiva, a Versa foi saber o que o motiva.

Hugo Madeira, médico e cirurgião oral, tem como missão dar uma nova vida e (sorrisos) a quem mais precisa e foi responsável por algumas das transformações em programas como “Casa Feliz” e “Você na TV”.

Preocupado com o bem estar físico e, sobretudo, psicológico dos seus pacientes, Hugo dedica a sua vida a esculpir sorrisos e todos os dias quer fazer mais e melhor pelos sorrisos dos portugueses. Nesse sentido, vai falar sobre este tema na TEDx Lisboa, a 1 de novembro.

Mas, antes disso e numa conversa exclusiva com a Versa, o médico dentista contou o que o motiva, o que sente um profissional quando devolve o sorriso a um paciente e falou ainda sobre o estado da saúde oral dos portugueses.

O que o motivou a querer fazer mais e melhor pelos sorrisos dos portugueses?

Sempre fui um apaixonado por medicina dentária desde criança. Sempre considerei o sorriso como um dos mais importantes fatores de como nos relacionamos connosco próprios e com os outros. A importância de um sorriso saudável e bonito é hoje em dia ainda mais valorizado do que  quando decidi ser médico dentista, o que faz com que continue a estudar e a procurar as mais inovadoras soluções para os meus pacientes.

Quais os tratamentos mais procurados ou solicitados?

Os mais procurados são sem dúvida as Higienes Orais, uma vez que está cada vez mais interiorizada a ideia de que temos de as realizar pelo menos duas vezes por ano.

Os tratamentos ortodônticos (aparelhos dentários) que, ao contrário de que muitas vezes se pensa, não têm apenas uma função estética mas também uma importância vital para a saúde de todas as estruturas da boca.

Os implantes dentários: infelizmente ainda existem muitos pacientes com perda dentária, e também estas devem ser compensadas recorrendo a implantes, uma vez que os espaços por ausência de peças dentárias constituem também um risco elevado para a saúde dos restantes dentes.

Por fim, as facetas dentárias têm também uma procura bastante elevada por pessoas que desejam ter um sorriso perfeito, desenhado à sua medida.

Como se sente um médico depois de devolver o sorriso a um paciente?

A minha felicidade é diretamente proporcional à felicidade de um paciente. Quando vemos a felicidade e a autoconfiança restabelecida em pessoas que passaram décadas a esconder o sorriso, sentimos aquela que será, provavelmente, das melhores sensações que podemos ter enquanto médicos.

Qual o impacto (físico e psicológico) de um sorriso saudável na vida de uma pessoa?

A nível físico é como qualquer outra especialidade médica, a boca não é um elemento isolado do corpo e uma saúde oral insuficiente pode colocar em causa também a saúde de outros órgãos do corpo, afetar a qualidade do sono e até originar problemas posturais. É, por isso fundamental, procurar ter um sorriso saudável. De ponto de visto psicológico é realmente transformador. Falamos de pessoas que passaram anos das suas vidas com dificuldade em conseguir empregos, em estabelecer relações afetivas e de repente têm a confiança para conquistar o mundo e viver as suas vidas de forma plena, sem amarras.

Como descreve a saúde oral dos portugueses, no geral?

Eu gosto sempre de ver o lado bom das coisas e posso afirmar que em 20 anos avançámos imenso na sensibilização da população para uma atitude responsável no que à saúde oral diz respeito. Contudo, ainda há um longo percurso a percorrer quer na educação do público quer na criação de mecanismos de apoio que o Estado deveria dar para democratizar o acesso da população a cuidados de Medicina Dentária.

Apenas 32,3% dos portugueses possuem dentição completa e apenas 67,4% visita o médico dentista pelo menos uma vez por ano.

Para se ter uma ideia, segundo o Barómetro da Saúde Oral de 2022, apenas 32,3% dos portugueses possuem dentição completa; 28,5% têm falta de 6 ou mais dentes; 48,1% das pessoas com falta de 1 ou mais dentes, não tem qualquer prótese a substituí-los. Por último, apenas 67,4% dos portugueses visita o médico dentista pelo menos uma vez por ano.

Porque são os custos da saúde oral tão elevados? Que benefícios o estado, por exemplo, poderia dar aos portugueses para melhorarem a saúde dos seus dentes?

De uma forma geral, os custos da medicina dentária são considerados elevados devido ao preço dos materiais e tecnologia utilizados durante os tratamentos. Uma vez que a prevenção é a chave para minimizar problemas de saúde futuros, para mim existem duas medidas que deveriam ser tomadas de imediato:

1) higienes orais gratuitas até aos 18 anos para toda a população, a serem realizadas em qualquer clínica mediante apresentação de um “cheque-dentista” fornecido pelo Estado e 2) a educação das crianças para a importância de manter uma correta higiene oral. Uma vez que a grande maioria das complicações advêm da falta de cuidados de higiene oral, acredito que estas medidas iriam reduzir em grande escala os problemas dentários em adultos.

Quais as técnicas mais sofisticadas de saúde oral que existem hoje em dia em Portugal?

Hoje em dia dispomos de tecnologia que faz da medicina dentária uma especialidade muito menos invasiva do que era há 20 anos atrás. Existem scanners que substituem a massa para fazer moldes dentários, temos tecnologia que permite guiar todas as cirurgias de forma a tornar todo o processo mais eficaz, rápido e indolor. Temos aparelhos dentários invisíveis que recorrem a tecnologia que permitem antever todos os movimentos dentários.

Temos aparelhos dentários invisíveis que recorrem a tecnologia que permitem antever todos os movimentos dentários.

Na área da estética temos software que permite que o paciente veja o aspeto exato que o seu sorriso poderá ter antes de decidir avançar ou não com o tratamento. Temos impressoras que desenham dentes com uma precisão incrível, temos lasers que permitem, entre dezenas de funções, fazer incisões sem sangramento, curar aftas numa sessão ou descolorar gengivas. É um mundo fascinante e em constante evolução.

Que conselhos dá para uma boa higiene oral e, consequentemente, um sorriso mais saudável?

Escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia (ao acordar e deitar), usar fio dentário na escovagem da noite. Uma escovagem sem pressa que permita alcançar todas as superfícies dentárias e na junção do dente com a gengiva. E claro, realização de pelo menos 2 higienes orais por ano.

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