Uncouple, já disponível na Netflix
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Uncouple: quando uma relação de 17 anos se evapora do dia para a noite

Ainda se lembram de “O Sexo e a Cidade”? É claro que sim. Agora pensem nesse formato, mas adaptado aos dias de hoje e com protagonistas LGBTQIA+. Uma receita de sucesso, arrisco a dizer.

Todos sonhamos com uma vida conjugal plena, sem grandes dramas – até os mais céticos no que ao amor diz respeito querem uma experiência pacífica. Estar numa relação é estar num campo de minas, sem saber muito bem ao certo quando o chão nos pode faltar. E isto não é puro pessimismo. Atentem no plot twist de Uncouple.

Michael (interpretado por Neil Patrick Harris) e Colin (Tuc Watkins) estão juntos há 17 anos, partilham uma vida, aparentemente, perfeita e sem muitas complicações. Acontece que na manhã em que Colin celebra o seu 50.º aniversário, o conto de fadas tinha os dias, melhor, as horas contadas. Mesmo antes de entrar para a festa surpresa que Michael lhe organizou, Colin informa o companheiro que já saiu de casa. O mundo desabou.

Como é que se recupera de uma notícia destas? Procuram-se respostas, tentam-se arranjar argumentos e entramos numa espiral depressiva. Tudo isto é válido. Seguir é o caminho e é isso que Michael tenta fazer.

Depois de 17 anos numa relação, como é que se volta à selva que é a vida de se ser solteiro? É essa premissa que vai pautando Uncouple, a série já se encontra disponível na Netflix e é uma criação de Darren Star, o responsável pelo sucesso que foi O Sexo e a Cidade (1998 – 2004).

Para que poupes tempo no jogo do quem é quem, pensa em Michael como Carrie Bradshaw, uma pessoa needy e muito autocentrada, mas que tem aquele brilhozinho que não nos deixa tirar os olhos de cima. Billy, o apresentador de televisão que a cada aparecimento social surge com um date diferente do grindr, é Samantha. Stanley é Charlotte, um eterno romântico que tenta manter a esperança de Michael intacta. Já Suzanne, que não tem papas na língua e é muito direta nas suas opiniões, é Miranda.

O que é que nos prende a esta série? O amor. Sempre o amor. Neste caso específico, a procura dele. Mas também o lado muito humano que a série nos mostra, em especial para a comunidade LGBTQIA+ que muitas vezes não se revê nas histórias que chegam à televisão. Em conversa com um amigo, percebemos que, apesar de estarmos longe de Nova Iorque, os problemas são os mesmos – com a pequena, grande, diferença que em Lisboa não nadamos em dinheiro como sempre é retratado.

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