Estudo | Fotografia: Unsplash
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Inteligência artificial altera memória, diz estudo

Cada vez mais, estudantes usam as ferramentas de inteligência artificial para para várias tarefas educativas, mas essa dependência tem consequências.

Os estudantes recorrem cada vez mais ao ChatGPT, uma ferramenta de inteligência artificial generativa, para fazer face às elevadas cargas de estudo a que sejam sujeitos, sugere uma nova investigação publicada no International Journal of Educational Technology in Higher Education. O estudo revela também uma tendência preocupante: a dependência do ChatGPT está associada à procrastinação, perda de memória e à diminuição no desempenho académico. Estes resultados deixam um alerta para o papel potencialmente perigoso da inteligência artificial generativa na educação

Apesar do potencial para auxiliar na aprendizagem e investigação, há uma crescente preocupação entre os educadores sobre o uso indevido de sistemas de inteligência artificial, especialmente em relação à ética académica.

“O meu interesse por este tópico surgiu da prevalência crescente da inteligência artificial generativa na academia e do seu potencial impacto nos estudantes”, explicou o autor do estudo, Muhammad Abbas, professor associado na FAST School of Management da National University of Computer and Emerging Sciences no Paquistão, citado pelo site PsyPost. "Durante o último ano, observei uma dependência crescente e não crítica das ferramentas de inteligência artificial generativa entre os meus estudantes para várias tarefas e projetos que atribuí. Isso levou-me a aprofundar a compreensão das causas e consequências subjacentes ao seu uso."

Para compreender estas dinâmicas, o estudo foi realizado em duas fases. Inicialmente, os investigadores desenvolveram e validaram uma escala para medir o uso do ChatGPT por estudantes universitários para fins académicos. Começaram por gerar um conjunto inicial de 12 itens, que foram refinados para dezapós avaliações de peritos para validação de conteúdo. A seleção final ficou reduzida a oito itens que pretendiam medir de forma eficaz até que ponto o ChatGPT era usado no meio académico.

A escala incluía afirmações como “utilizo o ChatGPT para as minhas tarefas do curso”, “sou viciado no ChatGPT quando se trata de estudos” e “o ChatGPT faz parte da minha vida no campus”.

Na segunda fase do estudo, os investigadores procuraram validar os resultados da primeira fase enquanto testavam hipóteses específicas relacionadas com o impacto do ChatGPT. A amostra consistiu em 494 estudantes universitários que foram inquiridos em três momentos diferentes, cada um separado por um intervalo de 1 a 2 semanas.

Esta abordagem com atraso temporal permitiu aos investigadores recolher inicialmente dados sobre variáveis preditoras (carga académica, pressão temporal, sensibilidade a recompensas e sensibilidade à qualidade), seguido pela medição do uso do ChatGPT e, finalmente, a avaliação dos resultados (procrastinação, perda de memória e desempenho académico).

Abbas e seus colegas descobriram que níveis elevados de carga académica e pressão temporal foram se traduziram num aumento d uso do ChatGPT, sugerindo que os estudantes que se debatem com stress académico significativo têm maior probabilidade de recorrer a ferramentas de inteligência artificial generativa para levar a cabo várias tarefas de âmbito educacional.

Os estudantes que eram mais sensíveis a recompensas tinham menos inclinação para usar o ChatGPT, indicando uma possível preocupação com a integridade académica e as potenciais consequências negativas de depender da inteligência artificial para tarefas académicas.Além disso, o estudo descobriu efeitos adversos significativos do uso do ChatGPT nos resultados pessoais e académicos dos estudantes. 

Uma maior dependência do ChatGPT foi associada a níveis mais elevados de procrastinação e perda de memória, e um impacto negativo no desempenho académico, refletido na média das notas dos estudantes. Estes resultados sugerem que, embora o ChatGPT possa ser um recurso valioso em certas circunstâncias, o seu uso excessivo pode levar a efeitos prejudiciais nos comportamentos e resultados de aprendizagem.

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