Mar de Rosas
Gourmet

Um dos melhores rosés portugueses nasce numa vinha rodeada de rosas

O suíço Nicholas Von Bruemmer pegou nos destinos da quinta do seu avô em Colares e dedicou-lhe o rosé Mar de Rosas que, como o seu nome indica, nasceu rodeado de rosas e de frente para aquele oceano rebelde.

Em 2018, conhemos a sua belíssima quinta de onde se avista o mar rebelde junto à serra de Sintra, Nicholas Von Bruemmer acabara de trocar Zurique pela zona saloia onde o seu avô, o barão Bodo Von Bruemmer plantara um jardim para a esposa. O seu antepassado era uma personalidade muito peculiar, e não um winemaker comum, “era um pouco doido”, disse na altura, e contou a história incrível da propriedade portuguesa que herdou, nascida em 1720, onde se descobre um recanto, muito século XVIII, onde as senhoras da nobreza se refrescavam e combinavam encontros secretos. O Casal de Santa Maria foi uma quinta vinícola até 1903 e Bodo von Bruemmer tirou-a das ruínas, em 1962. Fez criação de cavalos árabes, participou em corridas internacionais e, em 2006, depois de um problema de saúde, voltou a plantar vinha, tinha então 96 anos.

Aninhada num declive, recebe a nortada daquela zona saloia, vinda diretamente do oceano, o que confere mineralidade e salinidade, frescura e acidez aos vinhos. Os tintos estão plantados um pouco mais acima, e resguardados do vento, onde faz mais calor. Nicholas procura manter o legado e fazer vinho “numa das zonas mais difíceis de Portugal”, afirma. Como o seu avô barão, quando perdeu a esposa Rosario, em 1994, resolveu plantar-lhe 6000 rosas que agora emolduram as vinhas em belas matizes delicadas, Nicholas tirou proveito de tanta beleza e fez o rosé Mar de Rosas. Chega agora ao mercado a colheita de 2019 deste rosé vindimado à mão, decantado durante cerca de 48 horas em depósitos de inox e com estágio de cerca de 10 meses em barricas de carvalho francês.

E voltámos a conversar com Nicholas Von Brummer:

O rosé Mar de Rosas tem sido o sucesso que esperava quando marcou um almoço de senhoras para lançá-lo, em 2018?  

Excedeu todas as expectativas e estamos mesmo orgulhosos dele, até porque trabalhámos muito até conseguirmos a qualidade que sempre quis. Aliás, quando o lançámos, formos logo galardoados com o prémio de “o melhor Rosé em Portugal”.

E são mesmo as mulheres as suas melhores clientes? Porque gostamos nós de rosés?

Bom, as mulheres são no geral mais interessadas em beber rose, e não é pela sua cor mais feminina, mas pela simples razão de que os vinhos brancos costumam ter uma maior acidez e os tintos não são, de facto, e para muita gente, uma bebida que se bebe durante o dia. Tradicionalmente, os consumidores do sul da Europa nunca foram uns bebedores de rosé porque nunca produziram um bom rosé. Era um ciclo vicioso, e se olhar para os Estados Unidos ou para França, o consumo de rosé é enorme. Eu tenho andado a treinar para mudar essa tradição e já vemos alguns, mesmo em Portugal. Vais a qualquer supermercado local e vês as prateleiras cheias de rosés portugueses misturados com os franceses.

Também é um erro pensar que os rosés só se bebem no verão. Eu conheço muitas mulheres que preferem sempre um good fine rosé, mesmo que esteja a nevar lá fora.

Acha que também os homens, todos em geral, já começam a interessar-se por rosés e a largar os preconceitos do passado?

Existe o pensamento comum de que os rosés não são para os homens, Bom, eu bebo rosé desde que tenho 20 anos de idade e assisti ao boom do rosé nos últimos 10 anos. Repare, se for a um bar de praia com um grupo de amigos, é muito divertido abrir um Magnum ou um Double Magnum de rosé. É bonito de se ver, sabe bem se escolher o vinho certo, e põe toda a gente numa boa disposição. O rosa é uma cor sinónimo do verão, da diversão, da praia, dos amigos e de momentos felizes.

O mercado dos rosés está mesmo a crescer.

O mercado dos rosés está a crescer em duplos dígitos no mundo inteiro, cresceu 1100% nos Estados Unidos nos últimos 10 anos.

O que torna o Mar de Rosas tão especial?

No Mar de Rosas eu tentei juntar bons rosés da Provença, como o Les Clans ou o Garrus. E tentámos criar um bom vinho gastronómico e não um vinho blush de piscina. Parece que encontrámos a mistgura certa de uvas e de carvalho que ajudou a conseguir um rosé excelente.

Sente que o seu avô ficaria orgulhoso de si?

Tenho a certeza que sim, quadruplicámos a produção desde que ele nos deixou e a casa e a Adraga estão numa boa forma incrível depois da renovação, que durou cinco anos.

Ainda está apaixonado por Portugal? O que o seduz mais? Já lida melhor com a meteorologia de Sintra?

Vamos mudar de assunto! Mas, piadas à parte, Sintra é um lugar mágico e o tempo faz parte dessa magia. E continuo totalmente apaixonado por Portugal, país abençoado, e tem todas as opções para se tornar ainda mais bem sucedido. Sou seduzido pelas suas praias intermináveis.

E que novidades temos em breve do Casal de Santa Maria?

Acabamos de lançar o Pêndulo, um vinho branco sofisticado, blended and oaked. Chama-se Pêndulo porque o meu avô usava um para todas as decisões da sua vida. O seu pêndulo, que trazia sempre no bolso, tomou literalmente decisões de uma vida, e muitas vezes salvou-o mesmo da morte. Nenhum médico lhe podia dizer o que fazer, o pêndulo sim e ele consegui chegar aos 105 anos.

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